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Quinta-Feira, 09 Fevereiro de 2012

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Letras Q-R-S-T

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Dicionário Bíblico  de Italo Fernando Brevi - Letras Q - R - S - T

 

LETRA Q

 

QUERUBINS

Seres da mitologia babilônica que guardavam os portais dos templos e palácios (cf. Gn 3,24; 2Sm 22,11; Ez 10,2 e notas). Nos apocalipses judaicos e no cristianismo foram equiparados aos anjos. Ver “Anjo”.

 

QUMRÂN

Localidade junto à costa noroeste do mar Morto, a 13 km ao sul de Jericó, em cujas proximidades se descobriram em 1947 preciosos manuscritos da Bíblia hebraica. Os  manuscritos são datados entre o ano 150 aC e 68 dC, pois neste ano foi destruído pelos romanos o edifício (uma espécie de mosteiro) onde vivia em comunidade uma seita religiosa, provavelmente composta de essênios. Esta seita, parecida com a dos fariseus, mantinha-se separada do templo e do judaísmo oficial, aguardando a instauração dos tempos messiânicos. Os manuscritos bíblicos copiados pela seita atestam grande afinidade com o texto hebraico do AT que nos foi transmitido. Ver “Manuscrito”.

 

LETRA R

 

RABI

Título respeitoso que recebiam os doutores da Lei. O termo é hebraico e significa “mestre”(Mt 26,25; Mc 10,51; Jo 3,26). Jesus criticou este uso do termo (Mt 23,7s).

 

RECONCILIAÇÃO

Processo pelo qual se restabelecem as relações de amizade entre homens ou entre Deus e o homem, ou o povo de Deus. Deus oferece perdão e o homem lhe responde pedindo perdão e cumprindo ritos de expiação para aplacá-lo. Esta reconciliação foi obtida de modo perfeito pelo sacrifício de Cristo na cruz (Hb 9–10). Ver “Expiação”.

 

REDENÇÃO

O termo vem do latim redimere, “pagar resgate”, “redimir”. “Redimir”é pagar o resgate para libertar da escravidão. Cristo é simultaneamente o nosso redentor e o preço do nosso resgate. O direito hebraico incluía o “goel”–redentor, libertador, com uma tríplice função: executar a “vingança”(Nm 35,9-29; Dt 19,1-13; Js 20); resgatar as propriedades familiares (Rt 2,19s; 4,4; Lv 25,8-34); ser “goel”na lei do levirato (Dt 25,5-10; Rt 3,13; 4,1-8). Esta tríplice função do “goel”atribuía-a o AT a Javé e o NT a Cristo:

- “Vinga o sangue dos seus”(Is 47,3; 49,25s; 59,16-20). Também Cristo, o Juiz universal,“vingará os seus discípulos perseguidos”(1Ts 1,6-10; Ap 6,9-11; Lc 18,7).

- Javé resgatará o patrimônio daquele que, no ano jubilar, não tiver nenhum “goel”(Lv 25,10;Is 61,2; 53,4). Cristo inaugura o ano jubilar, ou ano da graça (Lc 4,21).

- Deus tomará conta de Jerusalém na sua viuvez (Is 54,1-8; 44,6; 49,20s; 62,4s). Cristo étambém o salvador da sua Esposa, a Igreja (Ef 5,23-25). "Remir”é libertar da escravidão:

- Leis sobre o resgate dos escravos (Ex 21,1-11; Dt 15,12-18; Lv 19,20).- Deus resgata o seu povo do Egito (Dt 13,6; 24,17s; Is 19,20-22) e das garras de Babilônia(Is 35,8-10; 51,9-11; Jr 31,10-12). Base para uma teologia sobre a libertação dos escravos.- Cristo liberta-nos da escravidão do pecado (Mt 11,2-6;Lc 1,77; 4,21; Ef 1,7); da Lei (Gl 3,10-13; 4,1-7; 1Pd 1,17-19) e do “príncipe deste mundo”(Jo 8,44; 12,31; 1Cor 2,8; 2Cor 4,4; Ef 2,2; Hb 2,14; 1Jo 5,18; Ap 12,7s).Cristo é o preço do nosso resgate, porque nele Deus realiza a nova aliança (Mt 20,28; 1Tm 2,6; Jo 10,17s; Rm 5,6-8; 1Pd 2,9).

 

REINO DE DEUS

No AT Deus apresenta-se como Rei-Pastor do seu povo. Israel era o reino, a pertença de Javé, entendido, a princípio, em sentido material (Ex 15,18; 16,9; 19,6; Is 5,4; Jz 8,23; 1Sm 8,7;Sl 24,7-10; 11,4; 47,3; 103,19; Jr 10,7-10). Instaurada a monarquia real, esta deve estar subordinada à realeza de Javé (1Sm 8,1- 7.19s; 2Cor 13,8; 2Sm 7,14; Sl 2,7).

As infidelidades dos reis, a divisão do reino e o exílio permitiram a espiritualização do conceito de Reino, despertando a esperança para uma realização definitiva do reinado de Javé nos tempos escatológicos (Mq 2,13; Ez 34,11; Is 40,9s; 52,7; Sf 3,14s). Será um reino universal (Zc 14,9; Is 24,23; Sl 47; 96; 99; Dn 2,4-44; 7,14-27; Sb 3,8). No tempo de Jesus o povo tinha nostalgia deste passado e esperava que Deus

estabelecesse seu reinado definitivo sobre Israel e as nações. Os judeus esperavam uma intervenção maravilhosa de Deus, de caráter político, mas numa relação particular com Deus (Mt 4,3-9; 20,21; Jo 6,14s; At 1,6). Jesus dá ao Reino de Deus (Marcos) ou ao Reino dos Céus (Mateus) o primeiro lugar na sua pregação (Mt 3,2; 4,17; 9,35; 10,7; Lc 12,31; 16,16; 22,29; Jo 12,13-15). Apresenta a sua ação na linha das manifestações do reinado messiânico escatológico, anunciado pelos profetas (Mt 4,23; 12,28; Lc 7,21s; cf. Is 35,5s; 61,1-3). Os apóstolos recebem de Cristo a missão de proclamar o Evangelho do Reino (Mt 10,7). Depois de Pentecostes o Reino é o tema central da pregação evangélica (At 14,22; 19,8; 20,25; 28,23-31; 1Ts 2,12).Só aos humildes e aos pequenos é dado conhecer os mistérios do Reino (Mt 11,25).O Reino é “como a semente depositada na terra”(Mt 13,3-9.18-23) que crescerá por seu próprio poder como o grão (Mc 4,26-29). É como “fermento na massa”(Mt 13,33). Converterse-á numa grande árvore onde se aninharão as aves do céu (Mt 13,31s).O Reino é dom de Deus (Mt 5,3; 13,44-46; 18,1-4; 20,1-16; 1Cor 6,9s; Gl 5,21; Ef 5,5). O Reino está em crescimento até a Parusia (Mt 9,37s; 11,12s; 13; 25,34; Mc 2,19; Jo 4,35; 2,1-11; At 1,9s; Lc 21,31; 22,14s.17s). Ver “Senhor”.

 

RELIGIÃO

Ver “Culto”.

 

REMISSÃO DOS PECADOS

Ver “Batismo”, “Penitência”, “Perdão”, “Justificação”, “Paz”.

 

RESIGNAÇÃO

Exortação: Jó 1,21; Pr 3,11s; Ecl 7,15; Hb 12,6s. Motivos: Dt 32,4; 1Sm 3,18; Jó 2,10; Mt 26,39; 1Cor 10,13; 2Cor 1,5; 4,8s; Hb 12,11.

 

RESPONSABILIDADE

De todos: Mt 12,36; 18,23; Rm 14,12; 2Cor 5,10; 1Pd 4,5. Dos superiores: Sb 6,7; Lc 16,2; 1Cor 4,1-4; Hb 13,17.

 

RESSURREIÇÃO

Javé é o Senhor da vida e da morte (Os 13,14; Dt 32,39; 1Sm 2,6). Cristo tem as chaves do reino dos mortos (Ap 1,18; 1Pd 3,19; 4,5s; Ef 4,8-10; Cl 1,18; Ap 20,1). Primeiras afirmações bíblicas da Ressurreição (Dn 12,2s; Sl 16,9-11; 2Mc 7). Manifestações de Cristo Ressuscitado (Mt 28,9s; Mc 16,9s; Lc 24,13s; Jo 20,16s; 1Cor 15,6s). Testemunhas da Ressurreição (At 1,21s; 2,32; 3,15; Rm 1,4s; 6,4). Pela Ressurreição Cristo comunica a vida ao mundo(Jo 7,37-39; 10,14-17; 12,2-24; 11,1s) e por ela nos redime (Rm 4,24; 10,9; 2Cor 5,14-16; Ef 2,5; Cl 2,12; 3,1). A Ressurreição de Cristo é a causa da nossa ressurreição escatológica (1Cor 15,1-58; 1Ts 4,13-18), batismal (Rm 6,1-11) e moral (Ef 4,17-24; Cl 3,1-7). A ressurreição dos mortos é anunciada no AT (Jó 19,25; Is 66,14; Ez 37,1-14; 2Mc 7,9.14).É afirmada no NT (Mt 22,31; Jo 5,25-29; 6,39; 11,24; At 24,15; 1Cor 6,14; 2Cor 1,9; 1Ts4,13-18; Ap 20,12. Ver “Retribuição”.

 

RESTITUIÇÃO

No Antigo Testamento: Ex 21,33-36; 22,3-15; Lv 24,18.21; Nm 5,7; Ez 33,15. No NovoTestamento: Lc 19,8s; Rm 13,8; Fm 18-19.

 

RESTO

O termo, usado sobretudo pelos profetas, designa os sobreviventes de grandes catástrofes,como o dilúvio (Gn 7,1s) e o exílio (Is 6,13).“Resto Santo”não é, porém, o resto histórico, mas a comunidade a ser salva no fim dos tempos (Is 4,4; 10,22; Jr 23,3; Mq 5,6-8)."Resto fiel”é a parte do povo que permaneceu fiel em vários momentos da história (1Rs 19,18; Is 10,18-22; 17,4-6; Am 3,12; 9,8-10; Dt 4,27; Mq 4,7; 5,2; Zc 8,6-13; Rm 11,3-5). O “resto fiel”é símbolo do “novo Israel”, formado de judeus e pagãos (Rm 9,27). O Messias reunirá um “resto”, um “pequeno rebanho”(Jr 23,3-6; Mq 2,12s; 5,1-8; Zc 3,8; 6,12; Lc 12,32), que será fermento na massa (Lc 13,20s), como uma semente no seio da terra (Lc

13,18s), como luz e sal do mundo (Mt 5,13-16).

 

RETRIBUIÇÃO

Na Bíblia não se fala da retribuição em sentido propriamente jurídico, como se fosse uma paga adequada. Esta aparece, sobretudo, como uma dádiva de Deus (Rm 3,27; 8,14-17; Fl 2,13; 1Cor 15,19.50; Cl 1,13). A retribuição, no início, é entendida como castigo coletivo dos inimigos de Israel (Ex 23,27; Js 24,12); depois, como um juízo de ira sobre o povo de Deus (Nm 25,3; Js 22,20; Ex 32;

Nm 11,1; 14,38; 17,6-15). A retribuição pode ser um prêmio ou um castigo segundo o esquema teológico pecado-castigo; conversão-perdão-recompensa (Jz 2,11-23; 3,7-9). As bênçãos e as maldições são disso uma prova (Dt 28,1s; 4,40; 5,33; 7,12-26; 15,4-10; 30,15- 20). O povo do AT, não tendo a perspectiva de uma vida futura, interpreta tudo o que lhe acontece de bem e de mal como um prêmio ou um castigo divinos pelo bem ou mal que fez (Jz 2,11-15; 3,7s; Dt 28; Jó 11,14s; 18,1-21; 22,25s; Pr 3,2s.10.23.26.33s; 4,10-22; 8,18s; 9,11). Concluía-se que por detrás de cada desgraça, coletiva ou individual, havia o pecado. Contra isso se levanta a consciência de muitos justos atribulados como o testemunha o livro de Jó e outros textos sapienciais (Jó 3,1-26; 9,14-35; 10,7).

No exílio em Babilônia, perante o fato dos justos que morrem perseguidos sem nenhuma recompensa temporal, surge a esperança da ressurreição (Dn 12,2s; 2Mc 7,9-23; 12,44s; 14,46). Sob a influência grega, nasce a fé na imortalidade (Sb 3,7s.14; 4,2; 5,16; 6,19; Sl 49). A literatura sapiencial ensina: “aquilo que cada um semeia isso re colherá”(Pr 24,12; Ecl 11,4; 1Cor 9,11; Mt 13,28s). Jesus fala de prêmio e castigo temporais, sempre numa perspectiva transcendente (Mc 10,29s; 12,1-9; Lc 13,1-5; 19,41-44; Mt 11,20-24; 23,37s). Cristo fala, sobretudo, de castigos e prêmios transcendentes. Consistem em receber o Reino ou em rejeitá-lo(Mt 20,1-15; 5,3-12; 25,1-46; 6,1-21; 7,24-27; 10,32s; 11,28-30; 19,28- 30; Lc 14,7-14; 15,11-32; 16,19-31; 17,1-10; 18,9-14; 19,13-27; Mc 8,35; 9,41; 12,1-9).Cada um será recompensado segundo as suas obras (Rm 2,6; 2Cor 5,10; Ap 20,12) no dia da vinda ( parusia) do Senhor (1Pd 4,13; 5,4; Ap 22,12; Jo 12,48).

 

REVELAÇÃO

Existe uma revelação natural (At 15,17; 17,27s; Rm 1,18s). Deus invisível tornou-se visível em Cristo (Ef 1,9; Cl 1,15; 1Tm 1,17; Ex 33,11; Jo 15,14-15; 2Tm 1,10; Tt 3,4). Manifestou-se para vivermos em comunhão com ele (1Jo 1,2s; Ef 2,18; 2Pd 1,4). Cristo é o mediador e a plenitude da revelação (Mt 11,27; Jo 1,14.17; 14,6; 17,1-3; 2Cor 3,16; Ef 1,3-14; Hb 1,1s).

Estrutura sacramental da revelação: Deus manifesta-se por palavras (Hb 1,1s; Jo 1,18; 10,34) e por obras (Rm 1,19s; Jo 5,36; 17,4). A Deus que se revela deve prestar-se a “obediência da fé”(Rm 1,5; 16,26; 2Cor 10,5s). A revelação é transmitida oralmente (Mt 28,19s; Mc 16,15; At 1,8; Hb 1,1s; 1Cor 15,3; 1Tm 3,16; 2Tm 1,13; 4,17; Gl 2,2) e posta por escrito sob a ação do Espírito Santo, segundo as necessidades litúrgicas, catequéticas e apologéticas da comunidade cristã (Jo 20,31; 2Tm 3,16; 2Pd 1,19-21; 3,15s; At 8,35; Lc 24,47).

 

REVOLUÇÃO

Conseqüências Jz 12,1-6; 2Sm 15,10–19,8; Mc 15,7; At 5,36s; 19,23-40Nm 16,1-35). Jesus respeita as instituições (Mt 5,17; 17,24; 23,2s); não se compromete com as autoridades (Mc 12,13-17; Lc 13,32; 20,1); prevê perseguições (Mt 10,16); repele a resistência armada (Mt 26,52; Lc 22,38.49); luta contra a desordem estabelecida (Mc 3,1; 11,15; Mt 23,5-38). O que importa é a reforma interior (Lc 6,27;1Cor 7,17.29; Rm 12,2; 13,1).

 

RICO (RIQUEZA)

. A riqueza no AT é considerada como um bem relativo. Era apreciada porque dava prestígio e poder e era um dom dado por Deus aos homens justos e sábios (Pr 8,18; 10,22; 22,4; Jo 1,1-3; 42,10-17). Mas o homem pode adquiri-la pelo próprio esforço (Pr 10,5; 13,11; Eclo 11,18); por isso ela é fonte de orgulho (Jó 31,25; Pr 11,28) e torna difícil a convivência com o rico (cf. Eclo 13,1-24 e nota). A riqueza torna-se perigosa quando adquirida por meios injustos (Pr 28,6.22; 30,7-9) e causa muito sofrimento aos pobres (Am 2,6s; 4,1-3; 8,4-6; Mq 2,1s). O rico deve lembrar-se de que a riqueza é passageira, pois com a morte perde tudo (Pr 11,4; 23,4s; Eclo 11,19s).

No NT Jesus tomou posição frente à riqueza (Mc 10,17-31; Lc 12,13-24; 18,24s). Ela é um dom de Deus, mas pode causar decepções (Ecl 5,9–6,6; Mt 13,22) e colocar em perigo a salvação do homem (6,19.24; 19,24). Jesus condenava a avareza (Lc 12,13-15) e exige dos que o querem seguir mais de perto a renúncia a todos os bens (Mt 19,18-30). As riquezas devem servir para ajudar os pobres (Dt 15,7s; Tb 4,8s; Eclo 29,1-13; Lc 16,9; 12,33; 2Cor 8–9; 1Tm 6,17-19; Gl 2,10; 1Jo 3,17). Ver “Pobre”.

 

ROLO.

As folhas escritas de um documento antigo podiam ser emendadas umas nas outras em tiras e depois enroladas num bastão, formando um rolo ou “livro enrolado"(cf. Ez 2,9 e nota; Zc 5,1s). Ver “Manuscrito”, “Códice”.

 

LETRA S

 

SÁBADO


É o sétimo dia da semana, consagrado a Deus porque após os seis dias da criação o Criador descansou (Gn 2,2s). Era um dia festivo (Ex 16,4s.14s.16-36; 35,1-3; Is 1,13; Os 2,13), no qual o israelita se abstinha de qualquer trabalho (Ex 20,8-11; Ez 46,1-12; 20,12) e se dedicava à oração (cf. Ex 31,13; Nm 15,32-36; 1Mc 2,32-41 e notas). Sábado é também o dia do anúncio dos bens futuros, escatológicos (Is 56,1-6; 58,13s; 66,22s; Jr 17,19-27; Ez 44,1-12).

Mas, quando Cristo veio, o jugo dos fariseus fizera do sábado um dia de escravidão (MT 12,1-14; At 1,12; Lc 6,6; 13,10-17; Jo 5,9-18; 7,21-24; 9,14-16). Cristo transforma o sábado no dia da sepultura (Lc 23,53s; Jo 19,31-42) e fixa para o dia seguinte –domingo –o dia da Ressurreição, da libertação, da nova criação (Mc 16,2-9; Jo 20,1.19).

O domingo é o dia em que o Senhor se manifesta (Jo 20,16.26) e transmite o seu perdão (Jo 20,19-23). É o dia da reunião da comunidade cristã (At 20,7; 1Cor 16,2). Por isso, o sétimo dia no qual o cristão repousa e se dedica à oração é o domingo (At 20,7; Ap 1,10 e nota). Ver “Domingo”, “Culto”, “Festa”.

 


SABEDORIA

Salomão destacava-se como o grande sábio de Israel (1Rs 5,9-14; Eclo 47,12-17; Pr 1,1; Ecl 1,1; Sb 8,19; 1Rs 3,4-15). Progressivamente a sabedoria é considerada como uma participação da sabedoria divina, manifestada no temor de Deus e na observância da Lei (Pr 15,16.33; 16,6; Ecl 3,12s; 9,7-9; Sb 1,1-5; Eclo 15,1-6; 24,23s; Br 3,9–4,4). Da Lei –sabedoria de Deus no meio do povo –passa-se à personificação da sabedoria divina (Pr 8,23-31; Jó 28; Eclo 24; Sb 7,22-8,1).

João, no seu evangelho, diz-nos que a sabedoria personificada é Cristo, o Verbo de Deus (Jo 1,18).

Como a sabedoria, também Cristo põe a mesa, oferecendo pão e vinho (Jo 6,35; Pr 9,1-6cf. ; Eclo 24,19-22; Is 56,1-11; Mc 2,22; Is 55,1s). Paulo, partindo de Sb 13,1-10, fala de um plano sábio de Deus, que levaria o homem a conhecê-lo; mas este falhou por causa da sabedoria humana(Rm 1,19-25). Então Deus apresentou o “escândalo da cruz”(1Cor 1,19-25; 2,6-16).

 

SACERDÓCIO

Dos cristãos: Cristo é o único Sumo Sacerdote (Hb 3,1; 4,14-16; 5,5.10; 6,20; 7,23-28). O povo de Deus é um reino de sacerdotes (1Pd 2,9; Ex 19,5s; Ap 1,5s; 5,9s; 20,6). Deve oferecer sacrifícios espirituais (Rm 12,1; Hb 13,15s; Fl 2,17; 4,18) e anunciar a Morte e Ressurreição de Cristo na “Ceia do Senhor”(At 2,42; 1Cor 10,16-22; 11,23-26; Lc 22,7-20). Unido a Cristo, pedra angular, cada membro do Povo de Deus constitui uma pedra viva do novo Templo espiritual (1Pd 2,4-6; Jo 2,19-22; 1Cor 3,16s; 6,19). Ver “Ministérios”,“Carismas”.

 

SACERDOTE

Ministro sagrado, encarregado de oferecer diariamente sacrifícios e holocaustos e queimar incenso no altar. O sacerdócio era hereditário: chegando à idade estabelecida na lei, o sacerdote era consagrado (Ex 29; Lv 8–10; Nm 18). Além das tarefas cultuais, aos sacerdotes cabia a instrução do povo em assuntos religiosos e administração dos bens do templo. No NT os anciãos, ordenados pelos apóstolos (At 14,23), supervisionavam as comunidades (20,17), pregavam, instruíam e dirigiam os fiéis (1Tm 5,17; 1Pd 5,1).

 

SACRIFÍCIOS.

De louvor, de reparação e pelo pecado. Ver Lv 1–7. Ver “Expiação”.

 

SACRIFÍCIOS DE COMUNHÃO

. Nesse tipo de sacrifícios, chamados também pacíficos, a carne da vítima era dividida em três partes: A primeira era queimada sobre o altar e era a parte que cabia a Deus; a outra ficava para os sacerdotes e a última, a maior, era devolvida às pessoas que ofertavam a  vítima para o sacrifício. Essa parte da carne era consumida num banquete sagrado, em que as pessoas consideravam Deus presente como comensal. Assim Deus e os homens participavam misticamente, mediante a fé, da mesma mesa (cf. Lv 3,1-17; 7,12-21; 1Sm 20,8 e notas). Sob este aspecto, os sacrifícios de comunhão eram prefiguração do banquete eucarístico, no qual, num sentido mais verdadeiro, o cristão é admitido à mesa do Senhor. Ver “Holocaustos”, “Oblação”, “Expiação”(cf. Lv 1–7).

 

SADUCEUS

Partido religioso e político, cujo nome se relaciona com Sadoc, o Sumo Sacerdote colocado por Salomão em lugar de Abiatar (1Rs 2,35). Os saduceus separaram-se dos fariseus quando Jonatas usurpou o sumo sacerdócio (135 aC). Desde então os saduceus entraram em luta com os fariseus, dos quais se distinguem pelas crenças religiosas (Mt 22,23; Mc 12,18; At 23,8). Na política, apoiavam a dominação romana e controlavam a nomeação dos sumos sacerdotes.

 

SAGRADA ESCRITURA

Ver “Bíblia”, “Revelação”.

 

SAGRADO

Aquilo que é separado do profano, ou do uso comum, para servir a Deus (cf. Ez 19,1-23;

Nm 1,53 e notas). Ver “Santo”.

 

SALOMÃO

Ver “Sabedoria”.

 

SALVAÇÃO

Deus é aquele que salva, dando vitória a Israel (1Sm 11,9.13; 19,5), ou salvando de algum perigo. Ele é o salvador por excelência, que deu a Israel a salvação, tirando-o do Egito (Ex 14,30; Sl 106,21; At 7,25). Mesmo quando a salvação é uma conquista humana a vitória é de Deus (cf. Jz 6,36 e Introdução a Josué ). A salvação é esperada no sentido universal também no fim dos tempos; é a salvação messiânico-escatológica. Então se realizarão todas as esperanças de felicidade para Israel, que será libertado do poder dos inimigos, da miséria material e do pecado.

No NT o termo “salvação”é usado no sentido de cura do corpo e da alma (Mc 5,34; Lc 8,48; 18,42). A salvação temporal se orienta no sentido da salvação espiritual, do perdão dos pecados (Lc 17,19) e da libertação de todo o tipo de escravidão que resulta do pecado (Mt 1,21; Lc 1,77; At 5,31). A salvação que Deus preparou em Cristo se destina a todos os homens (Jo 4,42; 1Tm 4,10; Tt 3,4-6). O próprio nome de Jesus significa “Salvador”(Lc 1,31; 2,21; Mt 1,21; At 4,12). A fé é condição para receber a salvação (Mc 16,16; Jo 11,25; Rm 10,9-13; Hb 11,7). Ver “Redenção”.

 

SAMARIA

Fundada em 880 aC por Amri (2Rs 16,24), estava situada 77 km ao norte de Jerusalém, numa colina de 450 m de altitude e de fácil fortificação, no entroncamento de estradas importantes e no centro do reino de Israel. Ficou sendo a capital do reino de Israel até a  ruína da nação, em 722 aC (2Rs 18,9-12), e depois tornou-se o centro administrativo da província persa da Samaria. Herodes o Grande a reconstruiu magnificamente, dando-lhe o nome de Sebaste (“Augusta”) em homenagem ao imperador Augusto, nome que subsiste na designação atual Sebastie. O diácono Filipe pregou ali o Evangelho (At 8,5-9).

 

SAMARITANOS

Com a destruição do reino do Norte, grande parte da população foi deportada para a Assíria. Em seu lugar foram enviados colonos assírios (2Rs 17,24-41). A população mista que então se formou deu origem aos “samaritanos”, que permaneceram monoteístas. Quando os cativos do reino de Judá foram repatriados pelos persas (538 aC), os samaritanos quiseram aliar-se aos judeus e participar na reconstrução do templo e da cidade. Mas Zorobabel (Esd 4,2) e Neemias não aceitaram (Ne 13,28). Desde então vinha a inimizade entre judeus e samaritanos, mencionada no NT (Lc 9,52-54; Jo 8,48).

Jesus, porém, mostrou simpatia para com os samaritanos (Lc 10,30-37; 17,11-19), aos quais mandou pregar o Evangelho (At 1,8; 8,4-25). Os samaritanos, que só reconhecem como canônico o Pentateuco, ainda hoje vivem numa comunidade de uns 300 membros no monte Garizim, onde anualmente celebram a Páscoa segundo os antigos ritos.

 

SANGUE

O sangue significa vida (Gn 9,5; Lv 17,10-14; Dt 12,23). Beber o sangue seria destruir a vida. Derrama-se junto do altar para significar o regresso da vida a Deus (Gn 9,4; Lv 17,3- 14; 19,26; Sl 58,11; Ez 39,11-19; 1Rs 21,19; 22,38). A custo, os cristãos conseguiram libertar-se deste modo de conceber o sangue (Rm 14,14-20; 1Cor 10,23-27). A proibição de comer sangue no cristianismo foi uma lei transitória para facilitar a convivência entre cristãos de origem judaica e pagã (cf. At 15,20.29 e nota).

Visto que o sangue é vida, e esta pertence a Deus, ele vinga o sangue do inocente (Dt 32,43; Ez 14,19; 33,6-8; Lc 11,50s; Ap 16,3-6). Os prodígios com intervenção de sangue anunciam a vingança divina (Ex 4,9; 7,17-21; Sl 105,29; Sb 11,6s; Ap 6,12; 8,8; 11,6). O sangue desempenha um papel importante nos sacrifícios (Lv 1–8). O sangue de Cristo, que é vida, transmite a vida (Jo 6,54-57; Mt 26,28; Jo 19,34s). O sangue é reparador e expiatório (Rm 3,25; 5,9; Ef 1,7; 2,13; Cl 1,15-20; Ap 1,5; 7,14; 22,14; Hb 9,14; 13,12).

 

SANTO

É tudo aquilo que está afastado, separado do impuro ou do profano para o serviço de Deus. Santo é sobretudo aquilo que constitui o “numinoso”da divindade, isto é, a majestade de Deus inacessível às criaturas, a própria glória divina. O povo de Deus deve ser “santo”para assemelhar-se a Deus e entrar em comunhão com ele (Lv 20,7.26). Os cristãos são chamados “santos”porque pelo batismo foram consagrados a Cristo (Rm 1,7; 1Cor 1,2) para viver uma vida nova (Rm 6,3-14).

Santo é também o compartimento da tenda da aliança (Ex 26,33) e do templo (1Rs 6,3.5.17) que dava acesso ao Santo dos Santos. No Santo estava o altar do incenso (Ex 30,1-30), a mesa dos pães da proposição e o candelabro de sete braços (25,23-40). Santos são nossos intercessores (1Cor 12,12.20s; Ap 5,8; Ex 32,11.14; 1Sm 7,8-10; Rm 15,30; Ef 6,18s; 1Ts 5,25; Hb 13,18; Tg 5,16). Temos comunhão com eles (1Cor 12,26s). Estão com Cristo no céu (2Cor 5,1-8; Fl 1,23s; Ap 4,4; 6,9; 7,9.14s; 14,1-4; 19,1-6; 20,4). Deus opera milagres por meio deles (Ex 8,9–11,10; 1Rs 17–18; 2Rs 2,8.14.21; Mc 6,13; At

3,6; 5,15; 14,7; 19,11s; Tg 5,17).

 

SANTO DOS SANTOS

Ou Lugar Santíssimo (1Rs 6,3), era a parte mais sagrada da tenda da aliança (Ex 26,33s) ou do templo de Jerusalém (1Rs 6,16). Nela estava guardada a arca da aliança. Ali só o Sumo Sacerdote podia entrar no dia da Expiação (Lv 16,2; Hb 9,3-10). Este recinto estava separado do Santo pelo véu protetor (cf. Nm 4,5 e nota).

 

SANTUÁRIO DAS ALTURAS

Ver “Lugares altos”.

 

SATÃ

O termo hebraico “Satã”, ou Satanás, significa“ acusador”, “adversário”(Jó 1,6cf. e nota). Mais tarde passou a designar o inimigo de Deus e do homem (Zc 3,1 e nota), tornando-se o nome próprio do anjo decaído e tentador do homem (Sb 2,24 e nota; cf. Ap 12,9). Jesus venceu as tentações de Satanás, que o queria desviar de sua missão (Mt 4,1-11; Lc 22,28). Inaugurando o Reino de Deus neste mundo, Jesus veio pôr fim ao reino de Satanás (Mt 12,28; Lc 10,18; Jo 12,31). O cristão participa desta vitória de Cristo (2Cor 6,14; 1Jo 5,18s), que no fim dos tempos será definitiva (Ap 12–20). Ver “Demônios”, “Dominações”.

 

SEFELA

Região entre a planície da costa do mar Mediterrâneo e as montanhas de Judá, entre 300 e 400 m de altitude (Js 10,40; 1Cr 27,28).

 

SERAFIM

O termo vem do hebraico saraf, “arder”. Em Nm 21,8s (ver a nota) indica as serpentes “ardentes”ou venenosas. Mais tarde designa uma espécie de seres celestiais que  purificavam pelo fogo (Is 6,2). Os serafins simbolizam a santidade divina que purifica o pecador.

 

SERPENTE.

Havia muitas serpentes venenosas na Palestina (Am 5,19; Pr 30,19; Sl 140,4). Segundo a opinião popular alimentavam-se de pó (Gn 3,14; Mq 7,17; Is 65,25). Os israelitas associavam serpentes e espíritos maus. Ela era símbolo do mal e da desgraça (Gn 3,1-5; Is 27,1; Sl 74,13s; Jó 3,8), da falsidade (Gn 49,17), da astúcia (Gn 3,1; Mt 3,7; 10,16; 23,33); constituindo, por isso, um perigo mortal (Eclo 21,2; Pr 23,32). Também em Israel havia encantadores de serpentes (Sl 58,5s; Jr 8,17; Ecl 10,11; Eclo 12,13; Tg 3,7). Entre os orientais, certas serpentes são adoradas, como deuses da fecundidade e transmissores da vida (emblemas fálicos). Por isso, no templo se adorava a serpente de bronze (Nm 21,4-9; 2Rs 18,4; Sb 16,7). Cristo, pendurado na árvore da morte (a cruz) é a serpente que dá a vida (Jo 8,28; 12,32s), vencendo a serpente que se pendurara na “árvore da vida”(Gn 3,1s).

 

SERVIÇO

Ver “Ministérios”.

 

SERVO

Deus libertou Israel do Egito para que o servisse no deserto (Ex 7,16; 1Rs 8,23). Por isso o povo de Deus em geral (Sl 34,23; 35,27) e os escolhidos de Deus (Gn 26,24; Ex 14,31; AP 10,7) são chamados servos. Por causa do uso do termo nos cânticos do “servo do Senhor”(Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13–53,12) o título foi aplicado em sentido messiânico a Jesus (Mt 12,18; At 3,13; Fl 2,7-9).

 

SETENTA

(Septuaginta, LXX). Nome dado à tradução dos livros do AT, escritos em hebraico e aramaico, para o grego. Foi feita no Egito entre 250 e 100 aC. O nome “Setenta”provém da lenda, segundo a qual a tradução foi levada a termo por setenta e dois doutores da Lei enviados de Jerusalém. Os escritores do NT e os cristãos dos primeiros séculos utilizaram esta tradução. No Ocidente, a partir do século V foi substituída pela Vulgata.

 

SIÃO

Colina de Jerusalém situada ao sul do templo e ao norte da piscina de Siloé. Em geral se identifica com Jerusalém (2Sm 5,7; Is 2,2s). Na fenomenologia religiosa, a montanha é o lugar da presença divina. Deus se revela no Sinai ou Horeb (Ex 3,1; 33,6; 19,11-20; 1Rs 19,1s).

Na Palestina, o po o sente atração pelos lugares altos (Ex 17,9; Nm 22–24; 1Sm 7,1; 9,12-25; 1Rs 3,4; 1Cr 16,39). Cristo escolhe os apóstolos, anuncia as bem-aventuranças, transfigura-se, aparece ressuscitado sobre uma montanha (Lc 6,12; 9,28; Mc 3,13; 6,46; 2Pd 1,18; Mt 5,1s; 17,1-9; 28,16-20). A luta contra os lugares altos é uma das causas da centralização do culto no templo, situado no monte Sião. Paulatinamente, vão sendo atribuídas a Sião todas as prerrogativas do Sinai (Dt 12,1-14; 14,22-26; 2Cr 30; 2Rs 23,1s; Sl 9,12-15; 84,5-8; 20,2s; Jo 4,20). Em Sião aparecem a Lei, a “Glória”e os fenômenos teofânicos do Sinai (2Rs 22–23; Is 2,3; Sl 99; Gl 4,25s; Hb 12,18-24).

 

SIDÔNIA

Antigo porto fenício na costa do Mediterrâneo, ao norte de Tiro. Junto com Tiro simboliza a civilização pagã corrupta (Lc 10,13-15).

 

SILO

Antigo santuário, ao norte de Betel, onde foi depositada a arca da aliança (Js 18,1-10). O santuário foi destruído pelos filisteus (1Sm 1,9; 4–5).

 

SILOÉ

Piscina dentro dos muros de Jerusalém, na parte baixa da cidade, para onde corriam as águas da fonte de Gion, através de um túnel construído pelo rei Ezequias (2Rs 20,20).

 

SINAGOGA

Edifício em que os judeus celebravam as suas reuniões religiosas (Mt 4,23; 6,2), especialmente aos sábados. Ser expulso da sinagoga equivalia a ser excluído da comunidade judaica (Lc 6,22; Jo 9,22; 12,42; 16,2).

 

SINAI

Ver “Horeb”, “Sião”, “Deserto”e “Peregrinação”.

 

SOBERBA

Ver “Humildade”, “Orgulho”.

 

SODOMA

Ver Gn 18,20 (e nota) e “Gomorra”.

 

SOFRIMENTO

De Jesus ver Cristo, o “Servo do Senhor”. De Maria, ver Maria, mãe do “Servo Sofredor”.

Dos justo s e pecadores, ver “Retribuição”, “Perseguição”. Como fonte de Redenção, ver “Cruz”, “Redenção”.

 

SUMO SACERDOTE

É o chefe dos servidores do templo e supervisor do culto. Como mediador por excelência entre Deus e seu povo, oferecia o sacrifício cotidiano (Ex 29,42) e fazia os ritos do dia da Expiação (cf. Lv 16,1-34 e notas). Era o presidente do sinédrio, desde o reinado dos hasmoneus. O cargo era vitalício, mas por razões políticas o Sumo Sacerdote acabava sendo deposto. Por isso, no NT fala-se em sumos sacerdotes. Jesus é o Sumo Sacerdote por excelência, cujo sacerdócio é perfeito e eterno, superior ao sacerdócio imperfeito de Aarão (Hb 5,1-10; 7).

 

LETRA T

 

TABERNÁCULOS

Ver “Festa”, “Jerusalém”.

 

TADEU

Um dos doze apóstolos (Mt 10,3; Mc 3,18), chamado Judas por Lucas (Lc 6,16; At 1,13).

 

TALIÃO

Lei que no AT permitia ao indivíduo vingar-se na mesma proporção da ofensa ou crime sofridos (cf. Ex 21,23-25; Lv 24,17-19; Dt 19,21 e notas). Contra esta lei. Jesus exige de seus discípulos a não-violência e o amor aos inimigos (Mt 5,38-48). Ver “Vingança de sangue”.

 

TÁRSIS

Colônia fenícia na Espanha (cf. Ez 27,12; Jn 1,3 e notas).

 

TEMOR DE DEUS

Na evolução bíblica podem perceber-se duas classes de temor: o temor sagrado (Gn 15,1-7; 18,27; 28,15-17; Ex 3,1-5; 34,10-13; Jz 6,22s); e o temor moral, ocasionado pelo pecado (Gn 3,9s; Is 6,3-7).

Mas a noção de temor interioriza-se: deixa de ser terror para se transformar na atitude religiosa de evitar o mal e observar os mandamentos (Dt 5,28–6,13; 17,19s; Ex 20,18-21; Jó 1,6-12; Pr 8,12-21; Eclo 2,14-18). Desse modo, o temor é o grande mandamento e o princípio da sabedoria (Dt 31,12s; Pr 1,7;

9,7-12; Jó 28,23-28; Eclo 1,11-20 e notas; 15,1-6).Os justos –judeus ou pagãos –são os tementes a Deus (Gn 22,11-13; Ex 1,17-21; Jó 1,1-8;At 9,31; 10,1s); os ímpios são os que não temem a Deus (Sl 35,2-4; Is 63,17s; Rm 3,10-18). O temor teofânico transforma-se em admiração ante as palavras e as obras de Cristo (MT 8,27; Lc 4,22; 2,9-18.33.47); o temor de Javé passa a ser o “temor do Senhor”(At 9,31; 2Cor 5,11; Ef 5,21). O AT foi o período do temor; o NT é o do amor (Rm 8,14-16; 2Tm 1,6s; 1Jo 1,3-8; Hb 12,18-24).

 

TEMPERANÇA

Não devemos deixar-nos levar por excessos no comer e no beber (Eclo 31,12-31; 32,1-13; 37,27-31; Pr 23,1-3.20s.29-35; Is 28,1-4). No contexto hebraico, os jovens são convidados a afastar-se das mulheres estrangeiras por causa do perigo de idolatria (Pr 2,16-19; 5,3-14; 6,24-35; Eclo 9,9; 23,22-27; Ecl 7,26-28). Por falta de temperança o homem porta-se às vezes como os animais (Rm 1,26-29; 1Cor 6,9s; 1Tm 1,9s; 1Pd 4,3). O cristão, filho da luz pelo batismo, não deve tomar parte nas orgias noturnas (Rm 13,11-14; Jo 12,36; 1Jo 1,6s; 5,7s; Gl 5,19-21; Cl 3,5-10; 1Cor 6,11). O cristão, chamado a receber o prêmio eterno, deve portar-se como um atleta (1Cor 9,25; 1Ts 5,6-8; Ef 5,18; 1Pd 1,13; 2Tm 4,7s; Ap 2,10; 21,8; 22,15). Uma das paixões mais difíceis de dominar é o amor do dinheiro. A temperança ajuda a vencê-la (Eclo 31,1-11; Pr 10,2; 11,4; Jr 17,11; Mt 6,24; 19,21-26; Lc 16,9-24). Outra paixão humana, que a temperança deve moderar, é o orgulho. Ver “Humildade”.

 

TEOFANIA

Revelação ou manifestação sensível da glória de Deus, ou através de um anjo, ou através de fenômenos impressionantes da natureza. Assim Deus apareceu a Abraão (Gn 18), a Isaac (26,2) e a Jacó (32,25-31; 35,9); revelou seu nome a Moisés (Ex 3), sua Lei a Israel (Ex 19s). No NT Deus já não aparece nas forças da natureza. Aparece no Homem-Cristo: na encarnação (Lc 2,1-2; Jo 1,14-18; Tt 2,11-14; 3,4-7; 1Jo 3,2-8); na ressurreição (Mc 16,9-20; Lc 24,1s; Jo 20,21). Manifestações teofânicas temos nas descrições do batismo de Jesus (Mt 3,16s), de sua transfiguração (17,1-8), ressurreição (28,1-7) e ascensão ao céu (At 1,3-11).

 

TEMPLO

O primeiro templo, construído por Salomão entre 967 e 964 (1Rs 6–8), foi destruído por Nabucodonosor em 587 aC. O segundo templo, construído por Zorobabel em 515 aC, foi profanado por Antíoco Epífanes em 167 aC (cf. 1Mc 4,59; 2Mc 1,9 e notas). Herodes o Grande o restaurou a partir do ano 20 aC, tornando-o uma das construções mais grandiosas do Médio Oriente. Mas foi destruído pelos romanos no ano 70 dC. Ver “Cristo”, “Peregrinação”, “Festa”, “Jerusalém”e “Sião”.

 

TESSALÔNICA

Fundada em 315 aC, tornou-se cidade livre e capital da província romana da Macedônia. Na sua segunda viagem missionária, Paulo visitou a cidade e fundou ali uma florescente comunidade, para a qual escreveu duas epístolas (At 17,1-13; 20,4; 27,2).

 

TEMPO

A eternidade é o “tempo”de Deus: Ele existia antes de qualquer criatura (Jr 1,5; 2Tm 1,9; Sl 89,2; 1Cor 2,7); e existirá depois (Ap 21,6; 22,13). O tempo de Israel decorre entre a libertação do Egito e o “dia de Javé”(Is 13,6-11; Am 5,18-20; Ez 7,5-10; Zc 12–14). No NT, o “século presente”, o reino de Satã, estende-se desde a Criação até a Parusia (Rm 12,2; 1Cor 10,11; Gl 1,4; Hb 9,26). Opõe-se ao “século futuro”, o Reino de Deus, que não terá fim (Ap 14,1-5; 21,2; 22,5; Rm 8,18-23; Hb 6,5). Entre a Redenção e o “século futuro”decorre o “tempo favorável”da conversão (Rm 13,11s; 2Cor 6,1s; Tt 2,11-14). É um tempo breve, um tempo de prova (1Pd 1,6; 2Cor 6,1-10; Cl 4,5; Ef 5,16; Jo 16,16-22). Nenhum cálculo humano pode fixar o tempo determinado por Deus (Mt 12,38s; 16,1-4; At 1,1-7). Hora de Jesus, ver “Caná”.

 

TESTAMENTO

O termo significa “disposição testamentária”, ato jurídico pelo qual alguém divide seus bens em favor dos herdeiros, após sua morte (Lc 22,29; Gl 3,15-17; Hb 9,16). Significa também a aliança, ou pacto, pelo qual Deus se compromete a cumular de bens o seu povo, desde que este cumpra certas condições. O “Antigo Testamento”(2Cor 3,14) é a aliança do Sinai; o “Novo Testamento”é o pacto que Deus estabeleceu por meio de Jesus Cristo (Jr 31,31; Lc 22,20), superando o AT (2Cor 3,6).

 

TENDA DA REUNIÃO

Chamada também “tabernáculo”, “tenda do encontro”, “tenda da aliança”(Nm 7,89 e nota), “tenda do testemunho”(At 7,44) ou “morada”(Ex 25,9 e nota), é o santuário israelita do deserto. Neste santuário portátil Moisés encontrava-se com Deus para receber revelações ou suplicar pelo povo. A tenda da reunião tinha duas repartições, separadas por um véu: o Santo e o Santo dos Santos.

 

TESTEMUNHO

O testemunho humano está regulado pela Lei (Nm 5,13; 35,30; Dt 6,7); o falso testemunho é severamente sancionado (Ex 20,16; 23,1; Dt 5,20; 19,16-20; Pr 19,5; 24,28; Dn 13; Mc 10,19).

Os profetas dão testemunho do nome de Deus (Mq 1,2; Jr 29,23; Ml 3,5). Mas é sobretudo o povo de Deus que deve dar testemunho (Is 43,9-10; 44,8; 55,4). Jesus, a grande testemunha (Jo 18,37; 1Tm 6,13; Ap 1,5; Jo 13,11.32; 5,31-40; 8,12-14; 15,26; 1Jo 5,6-8). Os cristãos devem ser testemunhas (At 1,8.21s; 10,41; 5,32). O martírio é o testemunho supremo (At 7; Ap 2,13; 6,9).

O falso testemunho em juízo é proibido porque prejudica inocentes e inocenta culpados (Ex 20,16; 23,1; Dt 5,20; Pr 19,5; 24,28; Mt 19,18; Mc 10,19).

 

TENTAÇÃO

A tentação bíblica não se situa propriamente no quadro da luta pessoal por adquirir a perfeição, mas na realização do plano de Deus. A tentação, portanto, é a fuga do homem ao plano de Deus: tentação de Abraão (Gn 22,1-18; Eclo 44,20; 1Mc 2,52): tentação do Povo no deserto (Dt 8,2-5; Ex 16,4; Sl 77,17-56; 94,6-11); tentação de Cristo por um falso messianismo (Mt 4,1-11; 16,21-23; 26,36-46; Hb 2,14-18; 4,15).

A tentação tem uma origem (Gn 3,1s; Jo 13,2; At 5,3; Rm 7,22s; 1Pd 5,8s). Todos nós somos tentados (1Cor 7,5; 1Ts 3,5). Deus a permite porque nos chama para a vida do Homem-Novo (Tg 1,13-15; 1Cor 10-13). Liberta da tentação aos que lhe pedem (Eclo 33,1; Mt 6,13). A tentação deve ser combatida (Mt 18,7s; 26,41; Ef 6,11-16; 1Pd 5,9), e pode ser vencida (Lc 22,31s; 1Cor 10,13; 2Cor 3,5; Fl 4,13; Tg 1,12; 2Pd 2,9; Ap 2,10).

 

TETRARCA

Governador da quarta parte de um determinado território. No NT o título indica qualquer governante de um reino dividido, ou um príncipe inferior ao rei (Mt 14,1; Lc 3,1; 9,7), ou mesmo igual ao rei (Mt 14,9).

 

TEXTO MASSORÉTICO (TM).

É o texto crítico da Bíblia Hebraica, estabelecido definitivamente entre 750 e 1000 dC. É o fruto do trabalho árduo dos massoretas, iniciado após a destruição de Jerusalém, para chegar a um texto hebraico definitivo. A massorá (= tradição) consta de sinais de vocalização do texto consonantal, para a pronúncia correta das palavras, e de estatísticas marginais sobre ocorrências do texto. O TM das atuais edições críticas do texto hebraico da Bíblia baseia-se num manuscrito hebraico do séc. X dC, e apresenta poucas divergências em relação aos manuscritos descobertos em Qumrân.

 

TIAGO

Conhecem-se vários personagens do NT com este nome: 1. Tiago o Maior, filho de Zebedeu e irmão de João, apelidado “filho do trovão”(Mt 10,2; Mc 3,17); foi decapitado por Herodes Agripa entre 41 e 44 dC (At 12,2); 2. Tiago filho de Alfeu, um dos Doze (Mt 10,3); 3. Tiago o Menor, irmão de José e Judas, primo de Jesus (Mt 13,55; 27,56; Gl 1,19). É o bispo de Jerusalém e considerado também como o autor da Epístola de Tiago (ver a Introdução ); morreu martirizado em 62 dC.

 

TIBIEZA

Ver “Zelo”.

 

TIMÔTEO

Era filho de um grego pagão e de uma mãe judia. Converteu-se ao cristianismo, foi companheiro de missão de Paulo (At 16,1-3) e seu amigo fiel (Rm 16,21).

 

TIRO

Famosa cidade marítima da Fenícia, situada numa ilha. Seus navegadores e navios controlavam o comércio e a navegação no Mediterrâneo (cf. Is 23; Ez 26–28; Mt 11,19-22; 14,37-42). Ver “Sidônia”.

 

TOMÉ

Um dos doze apóstolos, chamado Dídimo (Mt 10,3; Mc 3,18), que teve dificuldades em crer na ressurreição de Jesus (Jo 20,24-29).

 

TRABALHO

Na ótica bíblica é anterior ao pecado (Gn 2,15), embora, após o pecado, apareça como penoso (Gn 3,19; Jó 5,7). Recorda a obra criadora de Deus (Ex 20,8s; Gn 1,1–2,3; Eclo 38,34), que aparece como um trabalhador (Gn 2,7; Sl 8,4; Jo 5,17; 6,28). A Bíblia exorta ao trabalho (Ex 20,9; Ecl 9,10; Eclo 7,15; 1Ts 4,11; 2Ts 3,10-12), critica o preguiçoso e elogia a pessoa trabalhadora (Pr 6,6-11; 13,4; 16,26; 21,25; 31,13-27; Eclo 38,25s; Mt 25,14s). Também Jesus é um operário, “filho do carpinteiro”(Mc 6,3; Mt 13,35).

Paulo gloria-se do trabalho das suas mãos (At 18,3; 20,34; 1Cor 4,12).

 

TRADIÇÃO

No Antigo Testamento (Ex 12,26; Jz 6,13; Dt 32,7; Sl 44,2; Jr 6,16). No Novo Testamento (Mt 28,20; Mc 16,15; Jo 20,30; 21,25; At 15,41; 1Cor 11,2; 15,3s; Fl 4,9; 2Tm 2,2; 2Jo 12). Ver “Revelação”.

 

TRANSFIGURAÇÃO

Entronização de Jesus como Messias Sacerdotal (Mt 17,2-8; Is 9,1s; 42,6; Ex 28,4-13; Zc 3,1-5; Sl 103,1s; Hb 5,5; Ez 44,17; Ap 1,12-17; 5,1-14) e novo Moisés. Ver “Teofania”.

 

TREVAS

A ausência de luz, ou escuridão, simboliza o afastamento de Deus e de sua salvação. Ao criar o mundo Deus triunfou sobre as trevas (Gn 1,2; Is 45,7). As trevas significam a desgraça (Ex 10,21-23; 14,20; Am 5,18), o reino de Satanás e do pecado (At 26,18; Ef 6,12). O homem tem que se decidir entre o reino das trevas e o da luz (Jo 1,5; 3,19; 8,12). Quem ama o próximo, caminha na luz (1Jo 1,6; 2,9-11).

 

TRINDADE.

Cristo apresenta-se como Filho de Deus: há entre ambos um mútuo conhecimento (MT 11,25-27; 21,33-41; Lc 2,49s; Jo 6,40-57; 8,12-59; 12,20-28; 17,4-26). A vida cristã é apresentada por Paulo em referência a um Deus-Trindade (Rm 8,12-33; Cl 1,13-20; Ef 2,12-18; 4,1-6). O batismo, tanto em Cristo como em nós, tem uma dimensão trinitária (Rm 6,3-11; 1Cor 6,11; Tt 3,1-7; Mt 3,13-17). A atividade cristã tem origem na vida trinitária (1Cor 12,4-6; Gl 4,4-6; Rm 5,1-5). Fórmulas trinitárias (Mt 28,19; 2Cor 1,21s; 13,12s; 2Ts 2,13; 1Pd 1,2).

 

TRÔADE

Porto marítimo da província da Ásia, no mar Egeu. São Paulo passou por ali na segunda e na terceira viagens missionárias (At 16,8-11; 20,5-10).

 

TRONOS

Ver “Dominações”.

 

Última atualização ( Ter, 14 de Outubro de 2008 20:03 )  
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