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Sexta-Feira, 10 Fevereiro de 2012

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Letras I-J-K-L

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Dicionário Bíblico  de Italo Fernando Brevi - Letras I - J - K - L

 

LETRA I

 

IDOLATRIA

Só o Senhor Deus de Israel deve ser cultuado. Todo outro culto é proibido e constitui idolatria (Ex 20,3-6; Dt 5,7-10). Israel acreditou na existência de outros deuses (Jz 11,23s) e se deixou seduzir pelo culto a deuses cananeus, assírios e babilônios (Nm 25,3; Jz 2,12; 1Rs 14,22-24; 2Rs 21,2-15). Os deuses e suas imagens (cf. Dt 4,15-24 e nota) são invenção dos homens (Br 6; Rm 1,23) e um grave pecado (Sl 96,5; Sb 13,1-5; Rm 1,23-25; 1Cor 5,10s). Também a cobiça de riquezas é idolatria (Cl 3,5; Ef 5,5). Ver “Culto”e “Prostituição”.

 

IDUMÉIA

Nome greco-romano de Edom. O território, porém, só abrange a parte ocidental do antigo Edom (a oriental pertencia aos nabateus) e o sul da Judéia, até Hebron. Pertencia à tetrarquia de Arquelau e depois foi administrada pelos governadores romanos. Ver mapa do NT.

 

IMAGEM

Cristo é a imagem visível do Deus invisível (Gn 1,26s; 1Cor 11,7; Sb 7,6; 2Cor 4,1-6; Cl 1,15). O cristão é imagem de Deus (2Cor 3,18; Cl 3,1-11; Rm 8,29; 1Cor 15,49). O homem e a mulher são imagem de Deus (Gn 1,26s; 9,6; 5,1; 1Cor 11,7; Tg 3,9). No AT é proibido fabricar imagens de Deus (Dt 4,9-28; 27,1-5; Ex 20,4). Entretanto, Deus manifesta a sua glória, não através dos bezerros de ouro (Ex 32; 1Rs 12,26-33), nem de outras imagens fabricadas pelos homens, mas através da criação (Os 8,5s; Sb 13; Rm 1,19-23).

 

IMITAÇÃO DE CRISTO

O cristão deve assemelhar-se a ele (Mt 10,38; 11,29; 16,24; Jo 8,12; 12,26; 13,14-16; Fl 2,5; 1Pd 4,1; 1Jo 2,6; 3,16), a exemplo de Paulo (1Cor 4,16; 10,33; 11,1; Gl 2,19s; Fl 3,10s), na esperança da recompensa (Mt 10,22; Jo 12,26; Rm 8,17; 2Tm 2,11s).

 

IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

Na Bíblia, a mão significa poder (Ex 14,31; Sl 19,2; 1Rs 18,46; Ez 3,14; 30,21). O gesto de impor as mãos criava uma relação especial entre o sujeito e o objeto da ação, comunicandolhe algo da força do agente (Lv 9,22; Lc 24,50). É sinal de consagração (Nm 8,10; Dt 34,9), símbolo de identificação com a vítima do sacrifício (Lv 1,4; 3,2; 4,4). Servia assim para transmitir a culpa (Lv 16,21) ou poderes (Nm 27,18-23); era usado para abençoar (Gn 48,14-20), curar doentes (Mt 9,18; Mc 8,23; Lc 4,40; 13,13), abençoar crianças (Mc 10,16). Como Jesus, os discípulos também impunham as mãos para curar os doentes (Mc 16,18; At 9,12; 28,8), comunicar o Espírito Santo (At 8,17; 19,6) ou conferir um ministério ou missão (At 6,6; 13,3; 1Tm 4,14; 2Tm 1,6s).

 

IMPRECAÇÃO (MALDIÇÃO)

Fórmula composta de palavras próprias para amaldiçoar. Os primitivos atribuíam a tais fórmulas um efeito mágico: bastava pronunciá-las para se obter o resultado desejado. Israel também conhece fórmulas de bênção ou maldição, mas o efeito é atribuído ao poder de Deus (Gn 12,3). A maldição uma vez pronunciada deve se cumprir (Js 6,26; 1Rs 16,34; 2Sm 21,3 e nota). Mas Deus pode impedir que uma maldição seja pronunciada e transformá-la em bênção, como no caso de Balaão (Nm 22,12; Dt 23,6). Em alguns salmos o orante faz imprecações contra os que lhe causam sofrimentos (Sl 109;

129). Tais salmos devem ser entendidos no contexto e mentalidade daquele tempo. Jesus, porém, proíbe amaldiçoar os inimigos ou perseguidores (Lc 9,51-56; 23,34); ao contrário, manda amar os inimigos (Mt 5,44; Rm 12,14) para imitar a perfeição de Deus (Mt 5,45.48).

 

IMPURO

Ver “Puro-Impuro”e as notas de Lv 11,1-47 e 12,1-8.

 

INCREDULIDADE

De Israel (Nm 20,10; Dt 9,12-24; Os 10,2; 7,11s; Jr 2,4s). Incredulidade frente a Jesus (Mt 11,20-24; 23,37s; 8,10; Lc 24,25.37-41; Mt 28,17; Mc 16,11-14). A causa da incredulidade (Lc 16,27-31; Jo 3,19s; 5,44; 15,22; At 13,45s; Rm 10,14; 11,30-33; Fl 3,18s; 1Tm 1,13). Israel não acredita em Cristo (Mt 21,42; 1Pd 2,4-7; Rm 9,2s; 11,13s; 1Jo 2,22s; 5,1-5; 5,10). Explicação cristã deste fato (Jo 12,37-40; Rm 9,1s; Is 53,1.6.9; Mc 4,12). Conseqüências da incredulidade (Mc 16,16; Jo 3,18; 12,48; Hb 11,6).

 

INFERNO

O termo latino significa “lugar inferior”, “abismo”. No AT conhece-se o lugar dos mortos (xeol), uma gruta subterrânea. Para lá vão todos os mortos, bons e maus (Gn 37,25; Dt 32,22; 1Rs 2,6; Jó 10,21s; Sl 9,18; 31,18; Is 38,10.18). Com o progresso da Revelação foi-se esclarecendo o destino dos bons e dos maus: os justos ressuscitarão para a vida (Dn 12,2; 2Mc 7,9-23; Sb 5,15s; 6,18); os ímpios sofrerão castigo (Is 50,11; 66,24; Sb 4,19) e ressuscitarão para o opróbrio (Dn 12,2; Is 50,11; JT 16,17). Na Bíblia aparece também a imagem da Geena, vale de Jerusalém, lugar de culto idolátrico, lixeira da cidade, espécie de boca-do-lixo (Jr 7,30-32; 19,6; Is 30,33; Mc 9,43). O termo xeol é traduzido na versão grega dos Setenta por Hades (Lc 16,23s; Ap 20,13s). O Apocalipse fala-nos no “lago de fogo”, que é a segunda morte, no qual a morte e o hades serão lançados (20,6.14; 21,8). A descida de Cristo aos infernos significa a dimensão cósmica do mistério pascal. O mundo era então imaginado como uma casa com três compartimentos: gruta subterrânea – morada dos mortos: rés-do-chão –morada dos homens; primeiro andar –palácio de Deus. Pela sua sepultura, ressurreição e ascensão Cristo penetrou em cada um destes três lugares (1Pd 3,18-20; Ef 4,8-10; At 2,24-31; Rm 10,6s; 1Pd 4,5s). Esta “descida” é sinal do

triunfo de Cristo sobre a morte (Ap 1,18; 20,1). Na mentalidade bíblica, as “águas inferiores”(infernais) combateram contra Deus na criação (Jó 26,5-14; Mt 16,18). Por isso, o cristão, ao ser submergido nas águas batismais, ritualiza a sepultura de Cristo, descendo com ele aos infernos (Rm 6,3s; Cl 2,12). Ver “Geena”, “Abismo”, “Xeol”.

 

INIMIGOS

Devemos amá-los (Mt 5,23-48; Lc 6,35; Rm 12,14-21). Cristo e Estêvão perdoaram a quem os matava (Lc 23,34; At 7,60). Ver “Amor”.

 

INSPIRAÇÃO

Ver “Bíblia”e “Revelação”.

 

INVEJA

É vício detestável, que torna a pessoa incapaz de se alegrar com um bem que é do outro (Ecl 4,4; Sb 2,24s; Mt 20,9-15; Gl 5,26; Fl 1,15; 1Pd 2,1; At 5,17; Tg 4,1s). Dá origem a contradições, ultrajes e perseguições (At 13,45-50; 17,5); tem como conseqüência a violência (Gn 4,4; 27,41; 37,3-5; Pr 14,30; Mt 27,18; Tg 3,14s).

 

IRA

A ira do homem pode ser justa e sã (2Sm 12,5; Ex 16,20; 32,19-22; Nm 31,14; Lv 10,16; Mc 3,5; At 17,16). Normalmente é má (Pr 14,17; 29,22; 15,18; Jó 18,4; Mt 5,22; Cl 3,8; Ef 4,31; Rm 12,19; Ap 11,18). A ira de Deus é descrita no AT como ardor, fogo, tempestade (Sl 2,12; 83,16; Is 13,13; 30,27s; Jr 15,14; 30,23). Fala-se do cálice da ira divina (Is 51,17; Ap 14,10), que Cristo teve de beber. O dia do Senhor, anunciado para os tempos messiânicos, será um dia de ira (Am 5,18-20; Sf 1,14-18; Ml 3,2s; Rm 2,5). Paulo vê a imoralidade dos pagãos como um efeito da ira de Deus (Rm 1,24-28); esta desencadeia-se também sobre Israel (Rm 11,25-32); “todos são por natureza filhos da ira”(Ef 2,3; Rm 3,25s).

 

IRMÃOS DE JESUS

Passagens (Mt 12,47; 13,55; Mc 3,31; 6,3; Lc 8,19; Jo 2,12). São parentes próximos (Gn 11,31; 13,8; 14,14; 16,12; 24,27; 31,23; Rm 9,3; Hb 7,5). Ver as notas em Gn 29,4.12 e MT 12,46-50.

 

ISMAELITAS

Tribo de beduínos, descendentes de Ismael, filho de Abraão, e de sua concubina Agar (Gn 16,15s).

 

ISRAEL

Nome que Jacó recebeu depois que lutou com Deus (cf. Gn 32,23-33 e nota). O nome passou aos seus descendentes e ao povo eleito.

 

LETRA J

 

JAFA (JOPE)

Antigo porto na costa mediterrânea da Palestina (Jn 1,3). Pedro ressuscitou ali Tabita (At 9,36-43) e teve uma visão que o levou a batizar a família do pagão Cornélio, em Cesaréia Marítima (At 10–11).

 

JAVÉ

Nome do Deus de Israel, revelado a Moisés (cf. Ex 3,14 e nota), que os judeus evitam pronunciar.

 

JEJUM

É a abstinência total ou parcial de comida e bebida, e às vezes de relações sexuais. Tinha o caráter de auto-humilhação e acompanhava a oração. Era recomendada em grandes provações (cf. Dt 9,18s; Ne 1,4; Jl 1,13s e nota), depois de um falecimento (2Sm 3,35) ou para afastar calamidades (cf. Jn 3,8 e nota). A Lei mosaica conhece apenas um dia de jejum oficial: o dia da Expiação (Nm 29,7; At 27,9). Após o exílio se introduziram outros dias de jejum, comemorando calamidades nacionais (Zc 7,3-19). Os profetas mostraram a inutilidade da prática do jejum quando não acompanhada da conversão (Is 58,1-5; Jr 14,12). Por isso os fariseus, que jejuavam duas vezes por semana (Mt 9,14; Lc 18,12), foram criticados por Jesus (Mt 6,16-18). Mas Jesus jejuou quarenta dias (Mt 4,2) e incluiu a prática do jejum na vida normal da Igreja (Mc 2,18-20).

 

JERICÓ

A mais antiga cidade da Palestina, no vale do rio Jordão, 20 km ao norte do mar Morto, que teria sido destruída por Josué (Js 6,1-10). Jesus hospedou-se ali na casa de Zaqueu (Lc 19,1-10).

 

JERUSALÉM

A teologia bíblica vê em Jerusalém uma cidade eleita por Deus (2Sm 5-7); torna-se um novo Sinai (monte Sião) com uma nova Lei (2Rs 22; Sl 15,1-4; Is 2,3; Sl 68,16-18; 48,2-6); tornase o centro cultual de todas as tribos (Dt 12,1-14; 14,22-26). Mas Jerusalém está longe de ser o ideal duma cidade celeste (Is 1,21-23; Jr 11,1-13; Ez 16; 23; Lc 19,41-47; 21,5-36; Mt 23,37-39); Deus pensa na construção de uma nova Jerusalém (Ez 40–48; Zc 14,1s; Is 2,2-5; 60; At 2,1-11) que é Cristo e o seu Corpo que é a Igreja (Jo 2,18-22; 1Cor 3,16-17; Ef 5,22-30; Ap 21–22; Gl 4,22-31). Os cristãos viram na queda de Jerusalém (Mc 13; Mt 24) a realização das convulsões cósmicas anunciadas para os tempos messiânicos. Destruída Jerusalém no ano 70, os cristãos vêem na Igreja a nova cidade de Deus (Gl 4,26; Hb 12,22; Ap 14,1 e 21,9-27). Subia-se a Jerusalém em peregrinação porque era o lugar do sacrifício (Dt 12,1–13,14; 14,22-26) e da manifestação da glória de Deus (Sl 132,13-15; 134); é também a meta da esperança escatológica; lá se reunirão todas as tribos e nações (Is 60; 35,6-10; Jr 31,12-14; Ne 12,31-38). Os evangelhos, sobretudo Lc 9,51s, organizam a vida de Jesus como uma subida a Jerusalém (Mt 20,17-19; Mc 10,32-34). João escreve o seu evangelho como uma sucessão de subidas a Jerusalém, prelúdios da última e definitiva (Jo 2,13; 5,1; 7,1-10; 10,22s; 11,55s; 12,12). Entrada em Jerusalém : Os profetas anunciam a entronização do Rei messiânico no monte Sião (Sl 2,6; 110,1-3; Mq 4,1-3; Zc 8,20-22; 14,16-19). Os evangelistas narram a entrada de Jesus nesta cidade como a entronização do Rei messiânico, pobre e humilde (Zc 9,9; Mc 11,1-7; Lc 19,28-35). Os cânticos e os ramos da multidão são os próprios da Festa dos Tabernáculos que se realizava em setembro (NE 8,14-18; Sl 118). Zc 14,21 anuncia que não mais haverá comerciantes no Templo. Ver “Sião”.

 

JESUS CRISTO

Ver “Cristo”, “Messias”.

 

JOÃO

Há cinco personagens bíblicos com este nome que significa “ o Senhor é favorável”:

1. João Batista, filho de Zacarias e Isabel, precursor de Jesus (Lc 1,57-80). É de família aristocrático-sacerdotal (Lc 1,5-7; 1Cr 24,10; Nm 18,9). É o novo Elias (Mt 3,1-3; 11,14 e nota; Lc 1,17; Ml 3,1-2.23; Eclo 48,10). É o novo Samuel que deve ungir o Rei-Messias (Lc 1,7.15; 3,21s; 1Sm 1,5-11 e 16,12s). É o profeta-monge, separado do mundo (Mt 3,1; 11,7-10).

2. João Apóstolo e Evangelista, irmão de Tiago e filho de Zebedeu. A ele se atribui a autoria do Quarto Evangelho, de três epístolas e do Apocalipse. Junto com Pedro e Tiago forma o trio dos discípulos prediletos de Jesus (Mc 9,2; 14,33), chamados “colunas da Igreja”(Gl 2,9).

3. João Marcos, companheiro de Paulo e Barnabé na primeira viagem apostólica e autor do Segundo Evangelho (At 12,12.25).

4. João Hircano (135-104 aC), terceiro filho de Simão Macabeu (1Mc 16,19-24).

5. João ou Jonas, pai do apóstolo Pedro (Mt 16,17).

 

JORDÃO

Rio formado por três nascentes (Bânias, Dã e Hasban) que jorram aos pés do monte Hermon. Entra no lago de Genesaré (208 m abaixo do Mediterrâneo). Saindo do lago, atinge o mar Morto (a 394 m abaixo do nível do mar), 110 km ao sul, depois de percorrer 320 km de sinuosas curvas. No trajeto recebe alguns afluentes, como o Jarmuc e o Jaboc pela margem oriental. Embora não muito largo, são poucos os vaus que permitem atravessá-lo a pé.

 

JUBILEU

Ver “Ano Jubilar”.

 

JUDAS

Há seis personagens bíblicos com este nome:

1. Judas, o terceiro filho de Matatias (1Mc 2,4), apelidado o Macabeu (maqqabah = martelo) por causa dos duros golpes infligidos aos inimigos do povo de Deus (1Mc 3-6).

2. Judas o Apóstolo, identificado como Tadeu (Mt 10,3; Lc 6,16;).

3. Judas, “irmão de Jesus”(cf. Mc 6,3; Mt 12,46-50 e nota).

4. Judas, que morava em Damasco, com o qual Paulo se hospedou depois da conversão (At 9,11).

5. Judas Iscariotes, que traiu Jesus (Mt 10,4).

6. Judas o Galileu, que provocou uma revolta contra Roma (At 5,37).

 

JUDÉIA

Denominação helenística e romana para a parte da Palestina habitada por judeus. No NT em geral é o distrito que, junto com a Samaria e a Iduméia, formava a província romana da Judéia (Lc 3,1). A capital era Jerusalém, mas os governadores romanos moravam habitualmente em Cesaréia Marítima (At 23,33). Ver mapa do NT.

 

JUIZ

Título dado aos líderes que libertaram Israel da opressão inimiga, ou o governaram entre Josué (1200 aC) e o início da monarquia (1030 aC). Ver a Introdução ao livro dos Juízes e as notas em Ex 18,13-27 e Jz 2,18.

 

JULGAMENTO (JUÍZO)

. As questões judiciais na sociedade israelita se resolviam diante de testemunhas (os anciãos) ou eram levadas à decisão de um juiz (Dt 1,16s). Podia-se também recorrer a um tribunal superior, seja ao templo (17,8-13), seja à decisão divina dada pelo ordálio (cf. Nm 5,11-31 e nota). O rei podia também julgar questões (1Rs 3,16-28). Para contornar os abusos nos julgamentos (cf. Sl 58; 94) foram estabelecidas normas legislativas (Ex 23,1-9; Dt 16,18s). A ação de Deus na história é apresentada como um julgamento. Deus ora liberta seu povo ora o pune por causa das infidelidades (Dt 32,36; Jr 30,11-13). O julgamento de Israel e das nações se dará no dia do Senhor (cf. Am 5,18 e nota). No NT o julgamento é relacionado com Jesus (Jo 3,17-21; 8,15; 12,31). O cristão deve viver na expectativa do julgamento do

último dia, que marcará o triunfo definitivo de Cristo (Mt 25,31; 1Ts 4,16; 2Ts 2,3-10). Ver “Parusia”.

 

JUSTIÇA (JUSTO)

A justiça no AT não é apenas distributiva, que consiste em “dar a cada um o seu”(cf. Ex 23,6-8; Dt 25,15) ou cumprir os deveres cívicos, mas inclui também a perfeição moral religiosa. Ser justo é não cometer maldade (Sl 15,2), agir de acordo com a vontade de Deus (Gn 6,9; Ez 14,20; 18,5), respeitar o direito dos fracos e dos pobres (Is 28,6; Am 1,3–2,8; 5,7). Praticar a justiça é amar ao próximo (Mt 25,37.46; 1Jo 3,10). Sem a prática da justiça o culto perde seu significado (Sl 50; Is 1,10-20; Eclo 34–35). Só conhece a Deus quem pratica a justiça (Jr 22,16). Deus é justo enquanto age de acordo com a sua própria natureza. Ele pune os inimigos do povo eleito (Dt 33,21) e os pecadores de Israel (Am 5,20; Is 5,16), mas também é fiel às suas promessas de salvação (Rm 1,17), tornando o homem agradável a Deus pela graça (3,5.20-30). No NT são chamados “justos”os que no AT esperavam o Reino, observando a Lei (Mt 1,19; 21,32; Mc 6,20; Lc 23,50; At 10,22.35). A justiça cristã é ainda conformidade com a Lei (Ef 6,1; Rm 2,12-14.25s; Mt 5,20–6,1; 23,4-7; Fl 4,8; 1Ts 2,10). Devido ao pecado, a Lei tornase insuficiente para conseguir a justiça (Rm 3,20s; 7,7-13; Gl 3,15-22). Cristo é o único modelo desta justiça (Hb 1,8; 1Jo 3,7; 1Pd 2,21): realizando-a com a sua morte e ressurreição (1Pd 3,18-22; At 3,15; Rm 5,18; 1Cor 1,30; 2Cor 5,21). A justiça cristã torna-se assim um dom de Deus através de Cristo (Rm 3,21-31; 5,1-10; Fl 3,9), é um estado novo e permanente (Ef 4,20-24; 2,15), é uma participação na filiação divina (1Jo 2,29; 3,7-10; Rm 8,28-30). O Espírito Santo substitui a Lei como princípio interior de retidão: é a Lei da liberdade (Rm 8,2-11; Tg 1,25; 2,12). E um estado de santidade (Rm 6,19; 1Cor 1,30; Rm 1,17; Fl 3,9s). Esta justiça tem como fruto as “obras da luz”(Ef 5,9-11; 6,14-18; Fl 1,9-11; 2Tm 2,22).

 

JUSTIFICACÃO

Justificar é declarar alguém inocente (Dt 25,1; Is 5,23). O plano de Deus é justificar a muitos homens por meio do sofrimento de seu Servo (Is 53,11). Jesus veio para justificar os pecadores (Mt 9,13). A justificação se obtém não pelas boas obras mas pela fé em Jesus Cristo (Rm 3,21–4,25; Gl 2,15s; Ef 2,1-12). É um dom gratuito de Deus em Cristo (Rm 3,23-25; 4,5-8; 5,9-11.18-21; Tt 3,7). É efeito da obediência, da morte e ressurreição de Cristo (Rm 5,19; 3,24s; Gl 2,21). Supõe um ato de fé (Rm 3,26-30; 5,1; 10,6; Gl 2,16-21; 3,6-12) e recebe-se no batismo (Tt 3,5-7; Rm 6,1-14; Ef 4,22-24). Justificado, o homem recebe o perdão dos pecados e participa da vida divina pela graça.

 

LETRA L

 

LEI DE MOISÉS

Ou Lei de Deus (Js 24,26), é o conjunto das leis e prescrições religiosas e civis colecionadas nos cinco livros de Moisés ( Pentateuco), atribuídos a Moisés. Estes livros, que constituíam a parte básica da leitura e instrução nas sinagogas, contêm, além de coleções (Ex 25–31; 36–40; Lv 1–16; 23–27; Nm 1–10; 17–19), alguns códigos mais amplos: Código da Aliança (Ex 20,23-23,19), a Lei de Santidade (Lv 17–22) e o Código Deuteronômico (Dt 12–26). Além destas leis escritas, os fariseus observavam a tradição oral, a Mixná, também atribuída a Moisés. Posição de Jesus perante a Lei de Moisé s: Jesus não veio para abolir a Lei de Moisés mas cumpri-la no seu essencial (Mt 5,17). Observa a Lei (Jo 2,13; 5,1; 7,10; Mt 26,17-19; Lc 22,7-15). Jesus, porém, além de criticar o abandono da Lei de Moisés por parte dos fariseus em favor de suas tradições (Mt 15,2-9), contesta a própria Lei (Mt 12,1-8.9.14; Lc 13,1-17; Jo 5,9-12; Mc 1,41; 7,14-23; Lc 7,14; Mt 5,21-48). A atuação de Cristo frente à Lei é um esforço por tirar as conseqüências da sua redução ao amor de Deus e do próximo (Mt 7,12; 22,34-40; Mc 12,28-34; Lc 10,25-29). Posição de Paulo perante a Lei: A polêmica que aparece em At 7,1-53; 10,1–11,18 atinge o seu ponto culminante com o apóstolo dos pagãos (Gl 1,16; At 15,1-33): somos justificados  não pelas obras da Lei mas pela fé em Cristo (Rm 3,20-28; Gl 2,16-21; 3,11). A Lei não justificou nem a judeus nem a gentios (Rm 2,12-24). A Lei era transitória (Rm 5,20; 7,1-6; Gl 2,19; 3,13).A Lei de Cristo (1Cor 9,21; Gl 6,2) é a “plenitude”da Lei mosaica (Rm 13,8-10). É a pessoa de Cristo (Ef 4,20). É a lei do Espírito (Rm 8,2). É a lei da liberdade (Gl 5,1.13), a lei da fé (Rm 3,27). É o mandamento novo (Jo 13,34; 15,12; 1Jo 3,23). Além da Lei de Moisés e da Lei de Cristo existe a Lei natural (At 14,16; Rm 1,19s; 2,14s).

 

LEITE E MEL

São produtos naturais da terra de Canaã, obtidos sem muito trabalho. Por isso a Terra Prometida é descrita, em oposição ao deserto, como “terra onde corre leite e mel”(Ex 3,8; Nm 13,27; Dt 6,3). Leite e mel simbolizam as bênçãos divinas da Terra Prometida. A abundância de leite é sinal de prosperidade e riqueza e imagem da felicidade dos tempos messiânicos (Jl 4,18; Is 55,1; 60,16).

 

LEPRA

Duvida-se que esta palavra nas traduções bíblicas indique a mesma doença que nós hoje conhecemos por lepra ou “mal de Hansen”. De fato, “lepra”nas versões da Bíblia traduz o termo hebraico sara‘at, que inclui qualquer doença de pele e mesmo manchas em paredes ou roupas (cf. Lv 13–14 e notas).

Não se justifica, pois, pela Bíblia o ostracismo social em que nossa sociedade coloca os “leprosos”(hansenianos). O motivo pelo qual na Bíblia se isola o “leproso”não é o medo de um contágio por algum bacilo, mas o da impureza ritual ( puro-impuro). Cristo curou o leproso tocando-o com a mão (Mc 1,40-45), sem temor algum de contágio ou impureza, mostrando assim que a impureza que contamina é aquela que vem do coração (Mc 7,15-23). A lepra (hanseníase ou hansenose) que nós hoje conhecemos é uma enfermidade crônica, moderadamente contagiosa, com alterações principalmente na pele e nos nervos periféricos. Primeiros sinais: manchas mais claras na pele que se caracterizam pela “dormência”(insensibilidade à dor, ao frio e ao calor); aos poucos as inflamações nos nervos periféricos vão produzindo deformidades nas extremidades (mãos e pés). Hoje a ciência descobriu vários remédios que curam ou interrompem o processo da doença, sobretudo se a assistência médica for logo procurada. Feito o tratamento adequado a pessoa pode voltar ao seu trabalho e ao convívio familiar, sem perigo nenhum de contágio. É, pois, um preconceito desumano, destruidor da fraternidade e nada cristão negar emprego ou vaga na escola a um hanseniano, ou, pior ainda, rejeitá-lo do convívio familiar.

 

LEVIRATO

O termo vem do latim levir, “cunhado”. Normalmente o casamento entre cunhados era proibido (Lv 18,16; 20,21). Mas a lei do levirato obriga o cunhado a casar-se com a cunhada, quando esta ficou viúva sem ter tido um filho homem (cf. Dt 25,5s e nota). O primeiro filho desta união era considerado filho e herdeiro do falecido. A finalidade principal de tal matrimônio era conservar o nome do falecido e a propriedade dentro do clã (cf. Gn 38; RT 4,3-5; Mt 22,24 e notas).

 

LEVITA

Na tradição israelita é um membro da tribo de Levi, o terceiro filho de Jacó e Lia (Gn 29,34; 35,22-26). Mas originariamente “levita”era alguém que exercia funções sacerdotais. Com o tempo, todos os que exerciam funções sacerdotais foram identificados com a tribo de Levi. Mais tarde, quando o sacerdócio de Jerusalém passou a ser considerado o único legítimo, os sacerdotes que exerciam as funções fora de Jerusalém foram degradados à função de auxiliares do culto (1Cr 23,4-6). Ver as notas em Nm 3,11-13; 8,10-12; 18,20-25.

 

LIBAÇÃO

Rito complementar de um sacrifício, que consistia em derramar azeite, água e vinho em torno do altar (Gn 35,14; 2Sm 23,16; Dt 32,38). Paulo usa o termo em sentido figurado (Fl 2,17; 2Tm 4,6).

 

LÍBANO

Cadeia montanhosa ao norte da Palestina. O nome vem de laban, que significa “ser branco”, e alude aos picos cobertos de neve (Jr 18,14).

 

LIBERDADE

Cristo nos libertou da Lei mosaica (Rm 6,17-23; 7,1-6; Gl 4,4-31; Lc 4,18s). Consiste na libertação do pecado (Jo 8,31-36; Rm 6,22; Gl 5,1.13; Tg 1,25; 2,12; 1Pd 2,15s). Vem pela fé em Cristo (Rm 6,17-23; Gl 4,21-30). Onde age o Espírito aí há liberdade (Rm 8,2; 2Cor 3,17); a liberdade tem limites (Gl 5,13-26).

 

LIBERTAÇÃO

Ação pela qual uma pessoa ou um povo são tirados da escravidão, tornando-se livres. No AT o povo de Deus passou por duas experiências históricas de libertação: da escravidão do Egito (cf. Ex 3,12; 19,1–24,11) e do cativeiro da Babilônia. No NT a libertação não é uma experiência político-temporal, mas sobretudo espiritual. Só Cristo pode libertar a pessoa humana (Jo 8,32-36; Rm 6,18-22) da Lei, do pecado e da morte (7,3-6; 8,2), para colocá-la a seu serviço e ao de seus irmãos (1Cor 7,21s; 9,19).

 

LÍNGUA

É necessário dominá-la (Pr 25,28; Ecl 5,2; Mt 12,36; Ef 4,29; 5,3s; Cl 4,6; Tg 1,19.26; 3,2-12). As más línguas (Sl 52,4; 57,5; 140,4; Pr 18,8; Eclo 9,18; 28,17-23). Falar em línguas é um carisma. É a oração de louvor, dirigida a Deus em estado de exaltação mística. Por ser incompreensível, necessita de um intérprete para ser entendida pela assembléia (1Cor 12,10-30; 13,1.8; 14). É um dom prometido aos discípulos de Cristo (Mc 16,17), mas inferior à profecia. O fenômeno se realizou no dia de Pentecostes (At 2,3s.11.15).

 

LUA NOVA (NEOMÊNIA)

No calendário lunar a lua nova marca o início do mês; era considerada um dia santo. Nesse dia não se trabalhava (Am 8,5), promoviam-se banquetes familiares de caráter religioso (1Sm 20,5-26), ofereciam-se sacrifícios (Nm 28,11-15; Is 1,12s; Os 2,13), consultava-se a Deus (2Rs 4,23) e o luto e o jejum eram interrompidos (Jt 8,5s).

 

LUGARES ALTOS

Ou “santuários das alturas”(em hebraico bamot ) designa santuários cananeus em geral construídos numa colina, ou topo de um monte (Nm 33,52). Os israelitas praticavam o culto em tais santuários antes da construção do templo (1Rs 3,2). Mais tarde, sobretudo com a centralização do culto promovida pelo rei Josias (2Rs 22–23), foi proibida a freqüência aos lugares altos (Dt 12,2-14), que foram destruídos e profanados (2Rs 23,5.19s). Ver “Festa”.

 

LUZ

Deus criou a luz natural, o dia, o sol, a lua e as estrelas (Gn 1,3.5.16-18). Em sentido simbólico, a luz identifica-se com a vida (Jó 3,20; 38,15) e a proteção divina (Jó 29,3; Sl 27,1). A luz é o lugar da felicidade, da vida; as trevas, o lugar da infelicidade e da morte (Jo 30,26; Is 8,21–9,2) A luz simboliza a glória divina (Ex 13,21; Br 5,9), inacessível ao homem (1Tm 6,16). A luz é símbolo de Cristo (Jo 8,12). Diante de Cristo que é luz é preciso optar (Rm 13,12-14; Jo 3,17-21). Os homens são filhos da luz e filhos das trevas, cegos e videntes (1Jo 1,5-7; 2,9s; Ef 5,7-18; Jo 12,36). Os cristãos são chamados “filhos da luz”por terem recebido a graça e a luz da verdade, que devem difundir pelo bom exemplo (Mt 5,14; Ef 5,8). A conversão é iluminação (Is 2,5; At 26,17s; 2Cor 6,14-16; Mt 5,13-16).

 

Última atualização ( Ter, 14 de Outubro de 2008 20:02 )  
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