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Quinta-Feira, 09 Fevereiro de 2012

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Letras E-F-G-H

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Dicionário Bíblico  de Italo Fernando Brevi - Letras E - F - G - H

 

LETRA E

 

ECOLOGIA

As criaturas manifestam a sabedoria e a grandeza do Criador (Jó 28; 38,2–41,25; 42,5; Sl 19,2-7; Pr 8,27-31). O pecado e a violência do homem perturbam a ordem da natureza (Gn 3,17; 6,17–8,14; Ex 7,8–11,10; Is 1,4-9; 2Rs 17,7-28). As criaturas participarão da redenção escatológica (Is 11,6-9; 65,17; Rm 8,21s; 2Cor 5,19; 2Pd 3,3-13; Ap 21,1). A importância da água (Gn 1,7; 2,10-11; 7,11; Is 24,18; Jó 38,22-28; Lv 26,4; Dt 11,14; Is 30,23s; Jr 5,24; Sl 1,3; 104,3-18). Seu valor simbólico (Ez 36,24-30; 47,12; Jr 31,9; Is 49,10; 41,17-20; Eclo 24,25-31); as águas que dão vida (Jo 7,37-39; 4,10-14; 1Cor 10,4; AP 22,1.17); as águas batismais (2Rs 5,10-14; Mt 3,11; At 8,36; 1Cor 6,11; Ef 5,26; Rm 6,3-11; Tt 3,5). A importância das plantas (Gn 1,11s.29-30; 2,9; 3,22s; Dt 20,19s; Sl 104,13-18). Os animais e sua relação com o homem (Gn 1,20-30; 2,19s; 6,19-21; 9,2-5; Nm 22,22-35; 1Rs 17,6; Jn 2,3-7; Jó 38,39–39,30; 40,15–41,26; Sl 147,9; Mc 1,13; Mt 6,26; At 28,3-6).

 

ÉDEN

Ver Gn 2,8.10-14 e notas. Ver “Paraíso”.

 

EDOM

Ou “edomitas”, nome dos descendentes de Esaú, irmão de Jacó (cf. Gn 25,25.30; 33,1-17; Ab 9–15 e notas). Eles ocupavam a região ao sul do mar Morto, dos dois lados do vale da Arabá, até o Golfo de Ácaba.

 

EFÁ

Medida de capacidade, equivalente a 45 litros ou três arrobas. Ver a tabela de Medidas, pesos, moedas.

 

ÉFESO

Importante cidade do litoral oeste da Ásia Menor, desde 133 aC capital da província romana da Ásia. Com uma população de 250 mil habitantes e um estádio para 24 mil pessoas, era famosa pelo seu templo de Ártemis e pelas práticas de feitiçaria. Paulo passou por Éfeso durante a segunda viagem (At 18,19-21) e ali se deteve por três anos durante a terceira viagem missionária (19,1–20,1). O sucesso de sua pregação fez com que muitos queimassem seus papiros mágicos (19,18s), mas suscitou também tumultos, levando Paulo a abandonar a cidade.

 

EFOD

Pode indicar uma estátua de um ídolo (cf. Jz 8,27; 17,5 e notas) ou a parte da veste sacerdotal que continha a bolsa dos urim e tumim, usados para dar as respostas oraculares (cf. Ex 25,7; 28,6 e notas).

 

EFRAIM

Nome do segundo filho de José e Asenet (Gn 41,52), que passou também a ser o da tribo que dele descende. Junto com Manassés é destacado nas bênçãos de Jacó (Gn 49,22-26) e de Moisés (Dt 33,13-17). Por extensão, Efraim, sobretudo na linguagem poética, engloba todas as tribos do reino do Norte (Jr 7,15). No NT é também o nome de um vilarejo para onde Jesus se retirou antes de sua paixão (Jo 11,54).

 

ELEIÇÃO.

Em virtude da aliança, Deus escolheu livremente para si a nação de Israel, como seu  próprio povo (Dt 14,2). Esta eleição está relacionada com o êxodo do Egito (Am 9,7; Os 13,4; Mq 6,3-5; Ez 20,5s), mas já teve início com os patriarcas (Jr 11,5; 33,26). Em virtude da eleição divina são chamados eleitos os patriarcas (Gn 12,1-7), Moisés, os levitas, o rei (2Sm 7,14-16) e os membros do povo de Deus em geral (Ex 19,1-9). A eleição, porém, não é mérito e sim fruto do amor imerecido de Deus (cf. Dt 7,6-8 e notas).

No NT eleitos são os que do judaísmo se converteram ao cristianismo (Rm 9,27; 11,5-7), os cristãos em geral (1Pd 2,9), os apóstolos (Lc 6,13; Jo 6,70), especialmente Pedro (At 15,7) e Paulo (9,15).

 

ELIAS

O nome significa “meu Deus é o Senhor”. É o nome do profeta que defendeu intrepidamente a religião javista contra Acab e Jezabel, promotores do culto a Baal. A figura deste profeta austero causou tal impacto no meio do povo, que em torno dele surgiu um ciclo de narrativas de caráter legendário, marcadas por lances dramáticos e milagres (cf. 1Rs 17–19; 21,17-28; 2Rs 1–2). Por causa de seu fim misterioso descrito como assunção ao céu (cf. 2Rs 2,1-18 e nota; Eclo 48,9-12), começou-se a esperar o seu retorno (cf. Ml 3,22-24 e nota), crença muito viva no tempo de Jesus. O próprio Jesus afirma que Elias de fato já veio na pessoa de João Batista (cf. Mc 9,13 e nota).

 

ENAQUITAS

População legendária de gigantes que ocupava a região de Hebron, quando os israelitas começaram a conquista de Canaã (Nm 13,22; Dt 2,10-12 e notas).

 

ENCARNAÇÃO

Grande mistério (Rm 11,33; 1Tm 3,16), no qual participou Deus Pai (Jo 3,16; Rm 8,3; Gl 4,4), Deus Filho (Jo 1,14; Hb 1,2; 10,7-10; 1Jo 4,2) e Deus Espírito Santo (Is 7,14; Mt 1,18; Lc 1,35; Rm 1,3-4; Cl 2,9).

 

ENFERMIDADE

. É conseqüência do pecado (Gn 2,17; 3,19; Dt 28,20-22; Eclo 31,22; 38,15; Jo 5,14); é provação de Deus (Tb 2,9-14; 12,13s; Jó 5,17-19; Sl 34,20; Jo 9,3). Como proceder na enfermidade: chamar o médico e usar remédios (Eclo 18,20s; 38,9-14); rezar a Deus (2Rs 20,1-7; Sb 16,6-13; Eclo 38,13s; Fl 2,25-27); chamar o padre e receber a unção dos enfermos (Tg 5,14s); cuidar mais da vida espiritual (Sl 39,7s; Lc 10,41s; 12,31; Rm 8,18; 1Cor 11,30; Hb 13,14; 1Pd 5,7); visitar os enfermos (Gn 48,1; Jó 2,11; Eclo 7,34s; MT 25,39s).

 

ESCÂNDALO

Ameaças contra o escândalo (Pr 28,10; Mt 18,6-9; Mc 9,42; Lc 17,1; 1Cor 8,12): exortações contra o escândalo (Mt 13,57; 15,12; Lc 7,23; Jo 6,62; 7,41). Cristo é pedra de escândalo (Is 8,14; 28,16; Rm 9,33; Lc 2,34), sobretudo para os fariseus (Mt 15,12); para os judeus (1Cor 1,23).

 

ESCATOLOGIA

Ver “Parusia”.

 

ESCRAVATURA

Ver “Redenção”.

 

ESCRIBA

Desde o tempo de Esdras o escriba é um entendido nas coisas da Lei. Por isso é também chamado doutor da Lei ou rabi. Com o fim do profetismo, cabia sobretudo ao escriba o ensino e interpretação da Lei ao povo (cf. Eclo 38,24 e nota). Por isso, os escribas tornaramse os líderes espirituais da nação. Depois de longos estudos junto de algum mestre, pelos 40 anos, a pessoa era ordenada escriba com o rito da imposição das mãos. No tempo de Jesus eram famosas as escolas de escribas dirigidas por Hillel e Chammai.

 

ESCRITA

É conhecida desde o quarto milênio aC, tanto no Egito, como na Mesopotâmia. Entre os israelitas a arte de escrever era conhecida apenas por pessoas instruídas e de boa posição,  especialmente os escribas profissionais (Is 29,11s). A escrita hebraica se desenvolveu da escrita fenícia e tem 23 consoantes. É conhecida sob duas formas: a antiga, ainda em uso entre os samaritanos, e a quadrada, que aparece nos manuscritos do I séc. dC em diante. O sistema de vogais que fixa a pronúncia das palavras só foi inventado pelos massoretas pelo séc. VI/VII dC. Os manuscritos bíblicos foram escritos sobre papiro ou pergaminho.

 

ESCRITURA (SAGRADA)

. Ver “Bíblia”e “Como ler a Bíblia com proveito”, na Introdução Geral desta Bíblia.

 

ESMOLA

O mandamento (Tb 4,7; 14,11; Lc 14,12); é um ato de religião (Pr 19,17; Eclo 35,4; MT 25,35; Hb 13,16); exemplos (1Rs 17,10; Tb 1,3; Jó 31,16; At 9,36; 10,2; 2Cor 8,2).

ESPERANÇA

 

. No AT Deus é a essência, meta final e garantia da esperança (Sl 130,5-7) do indivíduo (71,5) e do povo em geral (Jr 14,8; 17,13). Espera-se no poder do braço do Senhor (Is 51,5), do qual vem a salvação (Gn 49,18). Espera-se a vinda da glória do Senhor (At 1,11; 1Ts 4,13–5,11), a conversão de Israel e das nações, a nova aliança baseada no perdão dos pecados (Eclo 2,11; Mt 18,11; Hb 2,17; 4,16; 2Pd 3,9).

Apesar de sua história cheia de contradições e infidelidades, Israel conservou a esperança na graça divina (Os 12,7; Jr 29,11; 31,17; Is 40,31). Foram os profetas que ergueram a bandeira da esperança nos momentos críticos da história, apontando a renovação dos tempos messiânicos (Os 2; Is 40–66; Ez 36–37). No NT a salvação prometida torna-se de certo modo já presente pela fé: a justificação, a filiação divina, o dom do Espírito e o novo Israel, composto de judeus e pagãos convertidos  a Cristo. Por isso muda também o conteúdo e a motivação da esperança. A esperança do cristão é uma “viva esperança”(1Pd 1,3;), que liberta do temor da morte (Ef 2,12; 1Ts 4,13), pois ela está unida ao amor (1Cor 13,13) e à fé em Cristo. O cristão espera a salvação (1Ts 5,8), a justiça (Gl 5,5), a ressurreição (1Cor 15), a vida eterna (Tt 1,2; 3,7), a visão de Deus e sua glória (Rm 5,2). Sua esperança é alegre e corajosa (Rm 12,12; 1Ts 5,8), pois está firmemente ancorada em Cristo (Hb 6,18s). Ver “Parusia”e Introdução Geral .

 

ESPIRITISMO

Constata-se na Bíblia a prática da evocação dos mortos (1Sm 28,3-20; 2Rs 21,6; 23,24; Is 8,19; 29,4), mas é severamente proibida (Lv 19,31; 20,27; Dt 18,10-12; 1Cr 10,13; Is 8,19; 44,25). Outras práticas mágicas (Ex 7,11s; 2Rs 17,17; 21,6; 2Cr 33,6; Sl 58,5s; At 8,9; 19,18-20; 2Ts 2,9; Ap 13,13s; 16,14).

Adivinhação (Gn 41,8; Lv 19,26.31; 1Sm 28,7; Eclo 12,13; 34,5; Is 47,13s; Jr 8,17; Ez 21,26; Os 4,12; At 16,16). Castigo severo previsto (Ex 22,17; Lv 20,6; Dt 4,19; 13,1-5; 17,3; Eclo 34,1-7; Is 44,25; 47,9;

Jr 23,16.30-32; 28,15-17; 29,8; Mt 12,27; At 13,8-11; 16,16-18; Gl 5,19s; Ap 21,8). Não existe reencarnação (Ecl 9,10; Eclo 14,12-19; Mt 13,30; 25; Lc 16,9.19-32; Rm 2,5-8; 2Cor 5,6-10; Gl 6,6s; Hb 9,27). Ver Lv 19,31; 1Cr 10,13 e notas; ver “Necromancia”.

 

ESPÍRITO (SANTO)

Em hebraico e grego “espírito”significa ar em movimento, hálito ou vento. Por isso também é sinal ou princípio de vida (Gn 6,17; 7,15; Ez 37,10-14), a força vital (Jr 10,14), a sede dos sentimentos, pensamentos e decisões da vontade (Ex 35,21; Is 19,3; Jr 51,11; Ez 11,19). Deus é que dá o espírito e age no homem pelo seu espírito (Gn 6,3; Ez 2,2 e nota). O Espírito falou pelos profetas (Ez 2,2; 3,12-14; 8,3; 11,1) e suscitou “testemunhas”(At 1,8.22; 2,32; 3,15; 10,39-41). No NT fala-se em bons e maus espíritos (Hb 1,14; Ap 4,5; Mc 1,13.23.26; At 5,16). O Espírito é também Deus verdadeiro, uma pessoa distinta do Pai e do Filho (Mt 28,19; Mc 13,11; At 5,3s; 20,28; 28,25s; 1Cor 3,16s; Jo 14,16). Procede do Pai e do Filho (Mt 10,20; Jo 14,26; 15,26; 16,13-15; Gl 4,6; Tt 3,5s); foi prometido e enviado (Lc 24,49; Jo 7,39; 14,16s; 15,26; At 1,5; 4,31); foi comunicado pelos apóstolos (At 8,14-17; 10,44-47; 11,15-17; 19,2-6; 1Ts 1,4s); foi dado a cada cristão e é o princípio da vida espiritual e garantia da ressurreição (Rm 8,2.11; Lc 12,11s; Jo 14,26; 16,12s; At 4,31s; Tt 3,5); concede dons e provoca frutos (Is 11,2s; Zc 12,10; Gl 5,22s; 1Cor 12,4–14,40; Ef 1,13s; 2Tm 1,7). O Espírito é o Paráclito, isto é, “advogado”dos cristãos no tribunal do mundo (Jo 14,15-17.25-26; 15,26-27; 16,7-14; Mc 13,11). Ver “Paráclito”.

 

ESPOSO

O amor de Deus por Israel é comparado ao do noivo por sua noiva, ou do esposo pela esposa (Os 2,16; Jr 2,2.30-37; 3,1-13; Ez 16,8). Deus tem “ciúmes” por causa de Israel infiel; por isso castiga-o, mas também lhe promete um coração novo (Jr 30,17; 31,2-4.21-22; Ez 16,53-63) e novas bodas após o castigo do exílio (Os 2,16-25; 3,1-5; Lm 1,1-21; Is 49,14-21; 50,1-2; 51,17s; 54,1-10; Ct 1,1s). João Batista chama Jesus de noivo (Jo 3,29; Ef 5,22s), sendo ele o amigo do noivo. Em Cristo, Deus realiza as bodas definitivas com a Igreja, que é a noiva (2Cor 11,2) ou esposa de Cristo (Ap 21,9). Por isso, o Reino é uma festa de casamento (Mt 22,1-14; 25,1-13; Lc 14,16-24; Jo 2,1-11; 3,25-30; Mt 9,14-15; Ef 5,25s; Gl 4,21-23; 2Cor 11,1-3). Os esponsórios de Deus em Cristo são o fundamento da moral conjugal cristã (Mt 19,1-9; Ef 5,22-23; 1Cor 6,15-20; 11,3-16; 1Pd 3,1-7; Cl 3,18-19). Ver “Matrimônio”.

 

ESSÊNIOS

Associação religiosa judaica da Palestina, de caráter monacal e tendência ascética. Sua origem provém, provavelmente, dos assideus (cf. 1Mc 2,42 e nota). Não são mencionados na Bíblia. Com a descoberta dos escritos do mar Morto (1947) e das ruínas de Qumrân, ficaram melhor conhecidos os costumes e a doutrina dos essênios e seu possível relacionamento com os fariseus e o NT. Características do grupo: Os candidatos passavam por um período de um ano de “postulantado”e dois anos de “noviciado”; o candidato era aprovado como membro após um juramento e recebia uma doutrina secreta. Praticavam a pobreza, o celibato e a obediência a um superior. Faziam abluções rituais e orações matinais. Veneravam Moisés e os anjos. Observavam o sábado, mas estavam separados do culto do templo. Segundo alguns, João Batista teria sido membro da seita dos essênios (Lc 1,60; 3,1-21).

 

ESTACAS SAGRADAS

Ver “Postes Sagrados”.

 

ESTADO

O poder vem de Deus (Pr 8,15s; 11,14; Eclo 10,1.4; 17,17; Dn 2,21; Mt 22,21; Jo 19,11; Rm 13,1s). Os funcionários públicos são responsáveis diante de Deus (2Cr 19,6; Ecl 5,7; Sb 6,2-9; Ef 6,9; Hb 13,17; Ap 19,16). Devem ser escolhidos entre os mais dignos (Ex 18,21-23; Dt 1,12-17; Sl 101,6; Pr 14,35): devem ser justiceiros e benignos (Dt 25,1-3; Pr 17,15; 20,28; 29,12; Sb 1,1; 12,17-19; Jr 22,2-5.13-19; Lc 3,14; Jo 7,24); devem edificar pelo bom exemplo (Dt 17,15-20; 1Rs 2,1-4; 6,11-13; Ecl 10,16s). Os súditos devem honrar as autoridades como representantes de Deus (Ex 22,27; 1Sm 24,7; Jo 19,11; At 23,4s; Rm 13,7; 1Tm 2,1-3); devem obedecê-las (Rm 13,1-7; Tt 3,1; Hb 13,17; 1Pd 2,13-15); devem pagar impostos (Mt 22,15-21; Rm 13,7). Mas antes de tudo se deve obedecer a Deus (Tb 1,15-20; 1Mc 2,19-22; 2Mc 7,1s.30; At 4,18s; 5,29.40-42). Ver “Autoridade”.

 

ESTELA (PILAR SAGRADO)

Ou coluna sagrada, de origem cananéia, era uma pedra colocada de pé por chefes em recordação de façanhas. Embora de origem profana, podia ser colocada em santuários e acabava assumindo a finalidade religiosa (cf. Gn 28,18 e nota) de localizar a presença divina. Mais tarde, para combater os costumes pagãos, o seu uso foi condenado (Ex 23,24; Lv 26,1; Dt 7,5; 16,22; cf. 2Cr 14,2 e nota).

 

EUCARISTIA

“Fração do pão”rito tipicamente cristão (At 2,42.46; Mt 26,26; 1Cor 10,16; 11,24). Celebrase no domingo, dia da Ressurreição (At 20,7.11). Nela o Ressuscitado está presente (Lc 24,30-35). É o “pão da vida”, refeição pascal (Jo 6,4) e messiânica. É o novo maná, dado pelo novo Moisés (Sl 78,24; 105,40; Sb 16,20; Is 55,1-3; Pr 9,5; Eclo 24,20; Jo 6,1-15.22-59; Mt 14,19-21; 15,32-39). É o banquete nupcial e escatológico (Mt 22,2-14; 25,1-13; Lc 14,12-24; Jo 2,1-12; Ap 14,1-3; 3,20-21). É o sacramento de Unidade (1Cor 10,16-17; 11,17-34; Jo 17,1s; At 2,42-46; Lc 24,30-35), prometido e instituído por Cristo (Jo 6; Mt 26,26-28; Mc 14,22-24; Lc 22,19-20; 1Cor 11,23-25).

 

EUNUCO

Ver as notas em Sb 3,14; Is 56,1-8 e At 8,26s.

 

EVANGELHO

É a “Boa-Nova” anunciando a chegada do Reino de Deus em Cristo (Lc 4,43-44; Mc 1,1; At

13,32-33; Is 40,9-11; 61,1-2; Lc 4,16-22; Mt 11,2-6). Esta feliz boa-nova é anunciada aos pobres (Lc 6,20-23; 2,10; Mt 5,3-12). É o anúncio da salvação (At 13,26; Rm 1,16-17; 10,14-17; Ef 1,13); é a pregação do mistério que se realiza em Cristo e na Igreja, incluindo judeus e pagãos (Cl 1,26-29; 4,2-4; Ef 3,1-7; Rm 1,1-6). Ver a Introdução aos Evangelhos Sinóticos.

 

EXÍLIO

Ver “Deportação”.

 

ÊXODO

Ver “Moisés”, “Páscoa”, “Peregrinação”, “Libertação”. Ver também a Introdução ao livro do Êxodo e as notas em Ex 15,17 e 19,1–24,11).

 

EXPIAÇÃO

No início, a expiação é compreendida materialisticamente como uma reparação exterior por uma falta legal (Lv 14,11-20.53-54; 23,26-32; Dt 13,7-11; 17,2-7; 19,15-21; Nm 35,32-34;2Sm 12,13-15). A expiação visa restabelecer a comunhão entre Deus e o homem, rompida por sua rebeldia. Em textos mais antigos, com a expiação procura-se acalmar a ira divina, punindo o pecador ou praticando um ato cultual (cf. 1Sm 26,19; 2Sm 21,1-14 e notas). Há também ritos expiatórios para apagar o pecado, representado como mancha, pelo sangue de uma vítima (Lv 16,14-16). Deus é quem institui a expiação e a efetua(17,11), quando lhe são oferecidos os sacrifícios pelo pecado e pela culpa. Deus, intransigente no início, deixa-se dobrar pela sua misericórdia (Jr 7,16; 11,13-20; Gn 19,2-22; Jó 42,8-10; Am 7,3-10); e concede o perdão dos pecados (Os 14,3-5; Jr 3,21-22). No NT, o povo que pecou muito tem necessidade dum “justo” que se imole por ele e o reconduza a Deus (Is 41,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13–53,12; Mt 12,15-21; Fl 2,8-11; Jo 12,31-34; 11,47-54; 1Pd 2,21-25). S. Paulo apresenta a obra salvífica de Cristo pela cruz como uma reconciliação entre Deus e os homens (Rm 5,9-11; 2Cor 5,18-20; Cl 1,20; Ef 2,13-16). O sacrifício de Cristo, de valor infinito, reparou para sempre todos os pecados (Hb 7,26-28;

10,4-14; 9,25-26; Ap 12,9-12; Rm 5,18-19). A Igreja, isto é, os cristãos associam-se à expiação de Cristo (Fl 3,10; Rm 8,17; 1Pd 4,13). Ver “Dia da Expiação”.

 

EXTERMÍNIO

Veja “Anátema”.

 

LETRA F

FACE

Muitas vezes o termo designa o próprio Deus, enquanto se volta ou se relaciona com o homem. “Contemplar a face”é ser admitido à presença de Deus; “ver a face de Deus”é algo perigoso para o homem (Ex 33,20-23). O homem pede que Deus não lhe esconda a sua face (Sl 27,8s), mas lhe mostre uma face compassiva (Nm 6,25).

 

FAMÍLIA

Ver “Esposo”.

 

FARAÓ

Título bíblico dos reis egípcios. Veja os nomes de alguns faraós na Tabela Cronológica da História Bíblica .

 

FARISEUS

Partido religioso judaico, cujos membros se dedicavam ao estudo e observância da Lei mosaica e suas tradições, especialmente o sábado, a pureza ritual e os dízimos. Os precursores dos fariseus são os assideus do tempo dos Macabeus (cf. 1Mc 2,42 e nota). Sob João Hircano I começaram a fazer oposição à sua política filo-helenística e por ter usurpado o sumo sacerdócio. Os fariseus, embora defensores da teocracia, politicamente eram moderados frente ao domínio romano, se comparados à ferrenha oposição dos zelotes e ao apoio dado pelos saduceus. Comparados a estes últimos, os fariseus eram progressistas quanto às crenças religiosas: criam na existência dos anjos, na ressurreição e na imortalidade (Mt 22,23-33; At 23,6-10). Entre o povo gozavam de grande prestígio e liderança. Jesus condenava não a doutrina (Mt 23,3) mas a hipocrisia e soberba dos fariseus (Mt 23,13-36) que os levava a desprezar a massa “ignorante”(Lc 18,9-14). Ver “Essênios”.

 

No AT a fé é raramente mencionada (cf. Hab 2,4 e nota). Mas crer é a atitude característica do homem perante Deus. Ela implica numa adesão da inteligência em reconhecer a Deus em todas as suas manifestações de amor e suas exigências para com o seu povo. A atitude de Abraão é o modelo da verdadeira fé que salva (Gl 3,6): ele jogou a sua vida, confiando na Palavra de Deus (Gn 12,1-2; 13,14-18; Ez 33,23-24; Eclo 44,19-21; Jo 8,56; Rm 4,1s; Hb 11,8-12). O Êxodo é o tempo da prova na fé (Ex 4,1-9; 33,1-6; Dt 1,45-46; 4,1-8; 6,20-25; 10,12-22). A fé inclui a esperança de um mundo melhor (Is 40,1–41,20; 43,1-21; 49,22-23). No NT acreditar é prestar fé à Palavra de Deus em Cristo (At 24,14; Lc 24,25-27); é obedecer a Deus (Hb 11,1s; Rm 1,5; 10,16s; 15,18; 16,19.26; 2Cor 5,5s); é confiar nele (Mc

11,22-24; At 3,16; 1Cor 13,2); é converter-se, aceitando o Evangelho (1Ts 1,8-9; Rm 10,17; 2Cor 5,18s; At 3,12-16). Jesus exige fé em sua pessoa (Jo 6,29-40). O coração da fé é a obra salvífica de Cristo,

sobretudo a sua morte e ressurreição (1Cor 15,1-20; Rm 4,24; 10,9). Paulo coloca a fé em Cristo como indispensável para a salvação (Rm 1,16). Mas quando opõe fé a obras, fala das obras da Lei mosaica e não dos frutos da fé cristã (Rm 4,13-25; Gl 3,1s; Ef 2,8-10; Mt 7,16-27; Jo 15,1-3.6-8; Tg 2,16-26). Alguns textos de primitivas profissões de fé: Lc 24,34; 1Cor 15,3-5; 1Ts 4,4; 2Cor 5,15; Rm 4,25; 6,4.9; Fl 2,6-11. A Igreja é a depositária da fé: Mt 16,16-19; 18,17s; 28,20; Mc 16,15; Lc 22,31s; Jo 21,15-17; At 1,24s; 15,7s; 20,28; 1Cor 1,10; 1Tm 6,20s; 2Tm 4,2-5; Tt 3,10s; 2Jo 10.

 

FÉLIX

Procurador romano da Judéia, de 52 a 60 dC; foi o segundo marido de Drusila, esposa do rei Agripa II (At 23,26).

 

FENÍCIA

Região que abrange o monte Líbano e a zona litorânea desde o monte Carmelo. Seus habitantes dedicavam-se ao comércio e à navegação, fundando colônias em Chipre, Rodes, Sardenha, Sicília, França Meridional e norte da África. No tempo de Cristo a região pertencia à província romana da Síria. No AT é conhecida como Tiro e Sidônia; pertencia à Terra Prometida mas jamais foi anexada (Js 13,4-6). Jesus visitou a região (Mt 15,21) e Paulo a atravessou (At 15,3).

 

FESTA

Israel conhece várias festas religiosas:

Festa da Lua Nova, que marcava o início do mês (1Sm 20,5-26; Ez 46,1-7; Nm 28,11-14; Ne 10,33-34; Gl 4,10; Cl 2,16-20). O dia festivo semanal era o Sábado (Ex 16,4-36; 20,8-11; Is 56,1-6; 58,13-14).

A Festa dos Tabernáculos era celebrada em ação de graças pela colheita das azeitonas e das uvas (Jz 9,27; 21,19-24). Era chamada também “festa da Colheita”ou “Festa”(Ex 23,16; 34,22; Ne 8,14; Jo 7,11; cf. Lv 23,33-44 e nota; Dt 16,13-16; Lv 23,34-44); atinge em Cristo o seu significado pleno (Jo 7,37-39; 1Cor 10,4). A Festa das Semanas era celebrada após a colheita do trigo. É chamada “das semanas”porque se fazia sete semanas após a festa dos Ázimos (Nm 28,26). É conhecida também sob o nome de “festa da Colheita”(Ex 23,16) ou “festa das Primícias”da colheita do trigo (34,22). Mais tarde recebeu o nome de Pentecostes (Tb 2,1; 2Mc 12,31s; At 2,1), porque se celebrava cinqüenta dias depois da oferta do primeiro feixe de espigas de cevada (Lv 23,9-14; Dt 26,1-11). Sendo de origem agrária, Pentecostes é uma festa alegre. Nela o israelita agradecia a Deus pela colheita do trigo, oferecendo-lhe as primícias (primeiros frutos) do que foi semeado nos campos (Ex 23,16; 34,22). Na época pós-exílica começou a ser celebrada nesta festa a promulgação da Lei de Moisés (Lv 23,15-21 e nota). Na festa de

Pentecostes, após a morte de Jesus, a comunidade cristã, reunida no Cenáculo, recebeu o dom do Espírito Santo (At 2,14). Ver “Páscoa”, “Sábado”, “Ázimos”.

 

FESTO

Foi procurador romano da Judéia depois de Félix (At 24,27) e morreu em 62 aC.

 

FILACTÉRIOS

Dt 6,4-9 e nota.

 

FILHO DO HOMEM

A expressão bíblica significa muitas vezes simplesmente “homem”, “criatura pequena, frágil”(Sl 8,5; 51,12; Jó 25,6). O profeta Ezequiel é chamado pelo Senhor de “filho do homem”, para acentuar a distância entre Deus e o homem (cf. Ez 2,1 e nota). Em Daniel a expressão indica os israelitas (cf. Dn 7,13 e nota), “os santos do Altíssimo”(7,18s). Para afastar as falsas esperanças de um messianismo político, Jesus aplicou esta expressão a si mesmo. Deste modo sublinhava ao mesmo tempo sua fragilidade humana, enquanto Servo Sofredor (Mc 8,31; 10,45; Is 53,10) e sua grandeza sobrenatural e gloriosa (Mc 8,38; 12,36; 14,62). Após a ressurreição14 a expressão “filho do Homem”foi entendida em sentido messiânico (At 7,56; Ap 1,13).

 

FILHOS

São a honra dos pais (Pr 17,6; Sl 128,3): devem ser educados (Pr 22,15; Eclo 22,3; cf. MT 11,16-19; Ef 4,14; Gl 4,1s); devem honrar os pais (Ex 20,12; 21,17; Dt 27,16; Eclo 3,3; 7,27s); devem obedecer-lhes (Dt 21,18-21; Pr 1,8s; Eclo 3,7s; Lc 2,51; Ef 6,1-3; Cl 3,20); aceitar a correção (Pr 12,1; 13,1; Eclo 3,16; 20,5s; Lm 3,27; Hb 12,9); mostrar gratidão (Tb 4,4; 9,4; Pr 10,1; 23,22; Eclo 3,11s). Ver “Adoção”.

 

FILIPE

Há vários personagens bíblicos com este nome:

1. Filipe, rei da Macedônia, pai de Alexandre Magno (1Mc 1,1; 6,2);

2. Filipe III da Macedônia (1Mc 8,5), derrotado pelos romanos em 197 aC;

3. Filipe, amigo de Antíoco Epífanes (1Mc 6,14-63; 2Mc 9,29; 13,23);

4. Filipe, filho de Herodes o Grande e Cleópatra, tetrarca da Ituréia e Traconites (Lc 3,1), do ano 2 a 34 dC; ao morrer, sua tetrarquia passou ao controle da província romana da Síria;

5. Filipe, filho de Herodes com Mariamne II. Era casado com Herodíades, que o abandonou para viver com Herodes Antipas (Mt 14,3);

6. Filipe, um dos apóstolos, natural de Betsaida (Jo 1,43-46). É mencionado na multiplicação dos pães (6,5-7), como intermediário entre Jesus e alguns pagãos (12,21s) e num diálogo com Jesus (14,8-10);

7. Filipe, um dos sete diáconos (At 6,5s), pregador do evangelho (8,5-13.26-40), visitado por Paulo antes de ser preso em Jerusalém (21,9).

 

FILISTEUS

Povo não-semita (cf. 1Sm 17,26 e nota), proveniente de Cáftor, ou Creta (Dt 2,23; Am 9,7). Invadiram a costa marítima de Canaã no séc. XII aC, pelo que depois esta região foi denominada Palestina. Oprimiram Israel na época dos juízes (Jz 14–16) e de Saul. Mas Davi os subjugou (2Sm 5,17-25). Com a divisão do reino (931 aC) tornaram-se praticamente independentes e no tempo dos Macabeus desapareceram como povo.

 

FIM DO MUNDO

Ver “Parusia”.

 

FINÉIAS

Sacerdote da família de Aarão. Por ter-se mostrado zeloso pela pureza religiosa e racial de Israel nos campos de Moab (cf. Nm 25,8 e nota), recebeu a garantia de um sacerdócio permanente para seus descendentes.

 

FIRMAMENTO

O céu era imaginado como uma abóbada consistente, na qual Deus pendurou as luminárias (sol, lua e estrelas: Gn 1,14-18). Ver “Céu”.

 

FOGO

O fogo é símbolo da majestade e da força divina (Dt 4,24; Is 33,14; Sf 1,18). Deus apareceu a Moisés na sarça ardente (Ex 3,2), manifestou-se como fogo no Sinai (19,18). O fogo purifica e limpa o impuro (Lv 1,9; 10,2; Nm 11,1-3; Is 1,25; 6,7; Mt 7,19; 13,40-42; Jo 15,6). Por isso a ira divina é representada pelo fogo que pune os maus (Gn 19,24s; Sl 50,3; Mc 9,49). Jesus compara a punição definitiva dos maus com o fogo que não se apaga (Mt 18,8; 25,41); mas também a virtude renovadora do Espírito Santo é um “batismo de fogo"(Mt 3,11; At 2,3).

 

FORNICAÇÃO

Ver “Adultério”.

 

FORTALEZA

A nossa força vem de Deus (Dt 8,17; 32,27; Jr 9,22; 1Sm 14,6; Ez 30,6; Lv 26,19; Am 6,13; Jz 7,2; At 6,8s; Rm 8,31; 1Cor 16,13; Ef 6,10; Fl 4,13; 1Jo 2,14). Só ele é onipotente. Manifestou o seu poder na criação e na libertação do Egito (Sl 74,13-14; Jó 25,1-6; 26,5-14; Jr 27,5; Sl 106,7-12; Ex 15). No combate escatológico, Deus manifesta a sua força (Hb 3; Ap 20,9-13; Is 51,9-11; Jr 50,33s). Manifesta-se ao realizar a obra da salvação, ressuscitando a Cristo (Lc 1,37; MT 19,26; Ef 3,20-22; At 5,29-31).

Cristo recebeu plenos poderes (Mt 28,18). Os apóstolos devem também ser revestidos da força do Alto (At 1,8; Lc 24,49).

 

FRUTOS

Ver “Boas Obras”.

 

LETRA G

 

GALAAD

Originariamente era o nome de uma montanha ao sul do rio Jaboc, na Transjordânia (Gn 31,47s). Depois passou a indicar a região ao norte e ao sul do Jaboc, inclusive a de Mádaba (cf. Nm 32,1 e nota). Outras vezes pode ser o nome do filho de Maquir ou até de uma tribo (cf. Jz 11,1 e nota).

 

GALÁCIA

Região do planalto central da Ásia Menor, onde se fixaram os celtas, que ali chegaram no séc. III aC. Paulo visitou esta região durante sua segunda viagem missionária (At 16,6). Mais tarde escreveu uma epístola à nova comunidade cristã dos gálatas. Ver a Introdução da epístola aos Gálatas.

 

GALILÉIA

Região norte da Palestina, que formava junto com a Peréia o território administrado por Herodes (4 aC a 37 dC). A população era formada sobretudo de judeus. Mas pela sua mistura com pagãos e dialeto próprio (Mt 26,73) os galileus eram desprezados pelos judeus como ignorantes e violadores da Lei (Jo 7,41; Mc 14,70). Cidades da Galiléia, como Nazaré, Caná, Cafarnaum, Betsaida e Tiberíades, além do lago da Galiléia, são o cenário mais familiar da vida pública de Jesus.

 

GAMALIEL

Famoso escriba e fariseu, neto de Hillel, que foi mestre de Paulo (At 22,3). Como membro do Sinédrio conseguiu a liberdade dos apóstolos presos (5,34-39).

 

GEENA

Forma grega do nome geográfico hebraico “vale do Enom”, lugar situado aos pés de Jerusalém, onde se sacrificavam crianças em homenagem a Moloc (2Rs 16,3; 21,6; Jr 32,35). Como punição pela idolatria, Jeremias anunciou que o vale seria um lugar amaldiçoado (7,30–8,3). O vale tornou-se um símbolo da punição escatológica (Is 66,22-24). Mais tarde tornou-se depósito de lixo de Jerusalém. No NT a geena é o símbolo da condenação eterna dos pecadores (Mt 5,29; Mc 9,43 e nota). Ver “Inferno”.

 

GENTIO

Termo judaico e cristão para indicar aqueles que professam religiões não-monoteístas, isto é, pagãos. A qualificação “gentio”distingue o “povo eleito”dos demais povos. Esta separação dos judeus, que se consideram eleitos, dos demais povos constituiu um problema sério para a admissão dos pagãos na Igreja. Muitos queriam que eles se submetessem à Lei mosaica (At 15,1s; 10,1s; 21,17-21). Paulo, que se gloria de ter sido chamado por Deus para pregar o Evangelho diretamente aos pagãos, reflete longamente sobre a eleição dos gentios (Gl 1,15-16; Rm 9,24-26; 10,19-21; 15,7-13; 1Cor 1,26-31); por

isso é chamado “apóstolo dos gentios”(pagãos). Certos textos dos evangelhos refletem os problemas entre os cristãos de origem judia e os de origem pagã (Mt 1,1-16; 8,5-13; 11,20-24; 21,28-43; 2,1-12).

 

GION

Fonte aos pés da colina sobre a qual estava construída Jerusalém, no vale do Cedron, hoje chamada pelos cristãos “fonte de Maria”. A fonte já dispunha no tempo dos jebuseus de um sistema de captação, permitindo que por meio de um túnel e um poço a água fosse captada sem precisar sair das muralhas. O rei Ezequias mandou construir um túnel de 550 m sob a colina de Ofel (Is 22,9-11; 2Rs 20,20 e nota) a fim de conduzir a água da fonte para o interior das muralhas, até a parte baixa da cidade, onde construiu a “piscina de Siloé”. Na descrição de Ezequiel a fonte que nasce aos pés do futuro templo torna-se o símbolo da renovação escatológica de Israel (Ez 47,1-12; Zc 14,8).

 

GLÓRIA

Em hebraico (kabod ), o termo significa aquilo que dá peso, torna importante e confere estima, como a riqueza, o esplendor e o poder. Muitas vezes significa a manifestação radiante da grandeza divina (Ex 24,15s; 29,43; Ez 1,28; 9,3). A glória de Deus enche o tabernáculo ou o templo (Ex 40,35; 1Rs 8,11), manifesta seu poder e sua santidade nas obras da criação (Sl 19,2), nos prodígios em favor de seu povo (Nm 14,22; Is 40,5). Jesus possuía esta glória (Jo 1,14), que se manifesta nos milagres, no monte Tabor (Mt 17,2-8; 2Cor 3,7s; Jo 2,11) e na paixão (Jo 17,1; 12,23; 13,31-32). O cristão, pela esperança (Fl 3,21), dela participa já neste mundo.

 

GLOSA

Diz-se de um texto, em geral de poucas palavras, que não pertence à obra original do autor mas foi acrescentado por outros (glosadores). A finalidade de uma glosa é explicar o texto existente. Inicialmente as glosas eram escritas à margem do texto. Mais tarde os copistas as introduziram no próprio texto. As modernas edições críticas dos textos originais, que são a base para as traduções vernáculas modernas, procuram eliminar tais glosas.

 

GÓLGOTA

O termo aramaico significa “lugar do crânio”ou da caveira (em latim Calvaria, donde “Calvário"); é o lugar onde Jesus foi crucificado (Mt 27,33; Jo 19,17). Era uma pequena colina, fora dos muros de Jerusalém, onde os condenados eram executados.

 

GOMORRA

Cidade ao sul do mar Morto, destruída por Deus por causa da perversidade de seus habitantes (Gn 19). Sua ruína, hoje encoberta pelas águas do mar Morto, é o símbolo do juízo implacável de Deus (Is 1,9).

 

GOVERNADOR

Título dado no NT aos mais altos magistrados nos territórios ocupados pelos romanos. São chamados também “procuradores” e administravam, em nome do imperador, territórios que apresentavam dificuldades especiais. A Judéia foi administrada por tais governadores do ano 6 a 36 dC e de 44 a 66 dC; os mais conhecidos são Pôncio Pilatos, Félix e Festo.

 

GRAÇA

Pode significar favor, benevolência, benefício. É a amizade de um poderoso. O rei concede graça (Gn 30,27; 1Sm 16,22; 2Sm 14,22). Graça e também beleza e encanto. Esta noção implica sempre uma nota de amor (Rt 2,10-13; Est 2,17; Ct 5,10-16; Lc 1,28-30). Muitas vezes é a fidelidade de Deus, que perdoa e ama (Sl 51,3; 40,12; Is 63,7); o justo encontra graça aos olhos de Deus (Gn 6,8; 18,3; Nm 11,11.15). A graça e a unção repousam sobre o Messias (Jo 1,14; Lc 2,40.52; 3,22; Sl 45,3). Graça é igual a tempo de graça, tempo de salvação, tempo messiânico (Jo 1,16-17; Rm 5,12-17; 6,14s; 3,23s; At 15,11; Hb 13,9; Tt 2,11s). Juntamente com a paz, a graça é um bem messiânico (Rm 1,7; 1Cor 1,3; 2Cor 1,2; 1Pd 1,2; Cl 4,18; Hb 13,25; Ap 1,4; 22,21). São chamados “graça”os dons do Espírito Santo (Rm 5,15s; 1Cor 7,7), especialmente a salvação e a justificação (Rm 5,2; Ef 2,5). A graça supõe também a nossa cooperação (MT 25,27s; 1Cor 15,10; 2Cor 6,1; 1Tm 4,14; Hb 13,9). Maria está repleta de benevolência divina (Lc 1,28; cf. Rt 2,2.10.13; Est 2,9.15.17).

 

GRATIDÃO

Para com Deus (Dt 8,7-14; Sl 107,1; 116,12; Eclo 32,13; Ef 5,20; Cl 3,15; 1Ts 5,18); para com o próximo (Pr 17,13; Eclo 29,15; 1Tm 2,1s; 5,4).

 

GREGO

Pessoa que pela educação se apropriou da língua e cultura dos gregos, independentemente de sua nacionalidade; todos os demais são bárbaros (Jo 19,20; At 19,11; Rm 1,14). Havia gregos simpatizantes com a religião judaica (Jo 12,20; At 14,1). Paulo prega o Evangelho tanto a gregos como a judeus (At 17,4; 18,4; Rm 2,9s; 3,9), pois segundo o seu Evangelho foi abolida a distinção entre judeu e grego (Gl 3,28; Cl 3,11). Ver “Pagão”.

 

GUILGAL

Lugar a leste de Jericó, onde foi erguido um monumento de pedra comemorando a passagem dos israelitas pelo rio Jordão (Js 4,20). Guilgal tornou-se um santuário e serviu como base para a conquista da Palestina (Jz 2,1; 1Sm 10,8; 13,8-15). Mas os profetas o rejeitaram por se ter tornado um centro de idolatria (Am 4,4; Os 4,15; Mq 6,5). Havia outra Guilgal, nas montanhas de Efraim, perto de Betel (Dt 11,30; 2Rs 2,1).

 

LETRA H

 

HADES

Nome grego para a morada ou região dos mortos, que corresponde ao hebraico Xeol

(abismo, ou infernos). O Hades é o lugar onde estão reunidos todos os mortos, com

repartições para bons e maus (Mt 12,40; At 2,27; Ap 6,9). O Hades terá fim com a

ressurreição dos mortos (Ap 20,14s): os bons irão para junto de Deus e os maus para a

geena, ou sofrimento eterno (Mt 25,46; Ap 19,20). Ver Sb 16,13; Br 2,17 e notas.

 

HASMONEUS

Nome dado à família e à dinastia dos Macabeus (167-63 aC). A origem deste nome é

discutida: pode vir do apelido dado por Flávio Josefo ao avô de Matatias, ou do nome de um

de seus filhos, Simão.

 

HEBRON

Antiga cidade de Judá, ao sul de Jerusalém (cf. 2Sm 2,1 e nota). Fundada sete anos antes de Tânis, teria sido habitada pelos gigantes enaquitas (Nm 13,22; Js 11,21-23 e notas). Abraão comprou ali um campo com uma gruta, que se tornou o túmulo dos patriarcas (Gn 23; 25,7-11; 35,27s). Em Hebron estava o santuário patriarcal de Mambré (13,18). Mais tarde Hebron tornou-se cidade de refúgio (Js 20,7); Davi reinou ali durante sete anos, antes de se apoderar de Jerusalém (2Sm 5,4-9).

 

HERANÇA

No sentido em que nós entendemos a palavra, o israelita herdava a propriedade de seu pai (Lv 25,46). Mas a palavra hebraica “herdar”(nahal ) tem um sentido mais amplo que em português. Israel recebe como herança Canaã, que é propriedade do Senhor (Js 22,19), prometida aos patriarcas (Gn 12,7). Canaã e o povo de Israel são herança de Deus, sem que ele os tenha recebido de outrem (Ex 15,17; Dt 9,26-29). O sacerdócio é a herança da tribo de Levi (Js 18,7). Quanto à legislação sobre a herança, que passa de pais a filhos, ver Nm 27,1-19 e Dt 21,15-17. No NT, além de seu sentido comum, o termo “herança”assume um novo significado, porque a relação entre Deus e os homens é vista como a existente entre pai e filho. Cristo é o herdeiro de Deus (Hb 1,2) e os cristãos, como filhos de Deus, são “co-herdeiros de Cristo”(Rm 8,17; Gl 3,29). Este direito de herdar, recebido no batismo (1Pd 1,3-5), é garantido pelo Espírito Santo (Tt 3,5-7).

 

HERESIA

No AT existiam falsos profetas (1Rs 18,19-40; Jr 23,13; 1Rs 22,1-22). Eram os que recomendavam meios humanos e estavam dominados por vícios; eram “cães mudos”perante as injustiças (Is 28,7-22; Jr 14,13-16; 23,9-40; Mq 3,5-11; Sf 3,4; Is 56,10). No NT aparecem também irmãos que se separam da comunidade levados por doutrinas estranhas a ela (1Jo 2,19; 2Cor 11,1-15; Ap 2,20-23). Deus permite o aparecimento de hereges para a provação dos fiéis (Mt 24,5; Jo 5,43; 2Tm 2,16-18), que os devem evitar (Dt 13,2-6; Jr 23,16; Mt 7,15s; Rm 16,17; 2Ts 3,14s; 2Tm 3,5; Tt 3,10s; 2Jo 10-11).

 

HERMON

Montanha de 2.814 m de altura, coberta de neves perpétuas, que forma a parte norte da Palestina. Nela se venerava o deus Hermon (Baal-Hermon).

 

HERODES

No NT vários personagens levam este nome: Herodes o Grande (73-4 aC), filho do idumeu Antípatro e de Kypros, filha de um rei árabe; foi nomeado rei da Judéia pelos romanos no ano 40 aC. Foi um grande construtor: construiu as cidades helenísticas de Sebaste (antiga Samaria), Cesaréia Marítima, Antipátrida e reconstruiu o Templo. Foi um eficiente administrador, mas muito cruel; por isso, e por ser amigo dos romanos e idumeu, era odiado pelos judeus. Segundo Mt 2,16-18, massacrou os meninos de Belém. Ao morrer, dividiu seu reino entre três de seus filhos: Arquelau, Antipas e Filipe, chamados também Herodes. Ver “Agripa”.

 

HERODÍADES

Filha de Aristóbulo e Berenice, casada com Herodes Filipe, uniu-se ilicitamente com Herodes Antipas. João Batista denunciou esta união e acabou sendo decapitado por causa do ódio de Herodíades (Mt 14,1-12).

 

HERODIANOS

Gente da corte de Herodes Antipas, adversários de Jesus, ao lado dos fariseus (Mc 3,6; 12,13).

 

HIPOCRISIA

É o esforço por aparecer como bom, sem o ser verdadeiramente (Mt 6,2-5.16; 22,18; 23,13-15.23-29; 1Pd 2,1). Paulo censura Pedro pela sua duplicidade de comportamento (Gl 2,13-16). Jesus chama “hipócrita”ao povo que não conhece os sinais dos tempos (Lc 12,56; 13,15s). O mesmo chama aos fariseus que davam mais importância às tradições humanas que à vontade divina (Mt 15,2-7).

 

HITITAS (HETEUS)

População não-semita em Canaã (Gn 23,3; Ez 16,3), cuja relação com os hititas da Ásia Menor é obscura. Podem ter emigrado para Canaã, provenientes de alguma parte do império hitita, que conheceu dois períodos de expansão: entre 1750 e 1590 aC e entre 1450 e 1200 aC.

 

HOLOCAUSTO

É o sacrifício no qual, excetuando a pele (Lv 7,8), a vítima era inteiramente queimada ao fogo, para a glória de Deus, senhor da vida (Ex 29,15-28; Lv 1,3-17; 1Sm 10,8 e nota). No templo oferecia-se diariamente um holocausto pela manhã e outro pela tarde (Ez 46,13-15; Dn 8,11; 11,31). Havia também holocaustos oferecidos por particulares: pela purificação da mulher após o parto (Lv 12,6-8), do leproso curado (14,10-13) e do nazireu (Nm 6,10-12).

 

HOMICÍDIO

É crime proibido (Gn 4,1-14; 9,6; Ex 20,13; 21,12-14; Dt 32,39; Mt 5,21-26; Ap 21,8). Mas há a legítima defesa (Ex 22,2; Dt 19,11s; Js 10,16-26; 1Sm 15,2s; 1Rs 20,42; Rm 13,3s). No NT Jesus aponta para uma perfeição maior: evitar as mínimas ofensas que podem ser um primeiro passo para levar ao homicídio (cf. Mt 5,22 e nota). O simples ódio ao irmão já é homicídio (1Jo 3,15).

 

HONRAR

A Deus (Js 7,19; 1Sm 2,30; Ml 1,6; Jo 5,22s; At 12,23; 1Cor 10,31); a autoridade civil (1Sm 10,24; Rm 13,7; 1Tm 6,1; 1Pd 2,17); a autoridade eclesiástica (Eclo 7,31; Lc 10,16; Rm 13,4s; 1Tm 5,17-19); os pais (Ex 20,12; 21,17; Dt 5,16; 27,16; Eclo 7,27s; Mt 15,4).

 

HOREB

O monte onde Deus apareceu a Moisés na sarça (Ex 3,1-6), concluiu a aliança com Israel e lhe deu a Lei, é chamado Horeb pelas tradições eloísta e deuteronomista; mas as tradições javista e sacerdotal lhe dão o nome de Sinai. Sobre as tradições ver Introdução ao Pentateuco .

 

HOSANA

Grito de alegria para saudar a Deus ou ao rei, que significa “salva, ajuda, por favor”. Era usado nas festas (Sl 118,25s), como Páscoa e Tabernáculos. Jesus foi saudado com esta aclamação ao entrar triunfalmente em Jerusalém (Mt 21,9.15).

 

HOSPITALIDADE

Virtude importante no mundo nômade (Gn 18,1-8; 19,1-8; Jz 19,16-24; Nm 35,9-34), um verdadeiro mandamento (Dt 10,18s; Is 58,7; Mt 10,40-42), gesto de caridade cristã (Rm 12,13; 1Tm 3,2; Tt 1,8; Hb 13,2; 1Pd 4,9; 3Jo 5-8). Havia ritos de acolhida, co m oferta de pão e vinho (Gn 14,18-24), ação de lavar os pés (Lc 7,36-46; Jo 13,1-15; 1Tm 5,10). Acolher o pobre e o pequenino, os apóstolos e a Palavra, é acolher a Cristo (Mt 25,35; Lc 9,1-6.46-48; Gl 4,14; 1Ts 1,6). Cristo experimentou a hospitalidade humana: em casa de Simão Pedro (Lc 4,38), em Cana (Jo 2,2), em casa de Zaqueu (Lc 19,1-10), em casa de Lázaro, Marta e Maria (Jo 12,2-3; MT 21,17), em casa de Simão (Mt 26,6-7), em casa dos discípulos de Emaús (Lc 24,29-30). Foi também rejeitado pelo seu povo (Jo 1,11), pelos habitantes de Belém (Lc 2,7), pelos seus conterrâneos (Lc 4,16-29; Mt 13,57s) e pelos samaritanos (Lc 9,53-56).

 

HUMILDADE

Não se identifica com a falta de caráter. Consiste em ter consciência das próprias limitações, não apropriar-se dos dons, valores, qualidades, reconhecendo que tudo se recebeu de Deus para o serviço de todos os irmãos (Jo 1,16; Lc 18,9-14; Mt 10,8; 1Cor 4,7; Jo 3,27; Tg 1,17; 1Cor 12,25-27).

O orgulho é o vício oposto à humildade. É o pecado do ser  humano (Gn 2,17; 3,3-6). É o pecado capital dos pagãos (Is 10,13s; Gn 11,4-8; Sf 2,15). Antíoco Epífanes encarna o orgulho dos poderosos (1Mc 2,49; 1,54-61). É o Anticristo (Dn 9,27; 11,31; 8,11; 2Ts 2,4; 1Jo 2,18; Ap 12,3s; 13,1-8). Deus exalta os humildes e rejeita os soberbos (Lc 1,52s; Pr 29,23; 2Sm 22,28; Mt 23,12; Tg 4,6). A humildade é condição indispensável para receber o Reino de Deus (Mt 18,1-5; 19,13s; 5,5; Sl 37,8-18) e para entender os mistérios do Reino (Mt 11,25; 1Cor 1,26-31). Cristo, sendo Senhor, fez-se servo para curar o orgulho dos homens (Fl 2,5-11; Mt 20,28; Jo 13,12-16; 2Cor 8,9). Ele é manso e humilde de coração (Mt 11,29). Veja “Cristo, o Servo de Javé”.

Última atualização ( Ter, 14 de Outubro de 2008 20:02 )  
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