Dicionário Bíblico de Italo Fernando Brevi - Letras U - V - X - Z
LETRA U
UNÇÃO
De altares, reis e sacerdotes (Gn 28,11-19; 1Sm 10,1-8; 16,1-13; 1Rs 1,38-40; Ex 29,44; 30,22s).
Depois do exílio, a unção é relacionada com o Espírito (Is 42,1-9; 61,1; Sl 89,21s). Cristo, recebendo o Espírito sem o rito da unção, é o ungido pelo Espírito (Mt 3,16; At 10,36-38). A Unção ou Crisma é um rito muito apto para exprimir o dom do Espírito (2Cor 1,21s; At 13,2s; 9,17; 2Tm 1,6s). A Unção dos Enfermos (Lc 10,34; Mc 6,12s; Tg 5,14s).
UNGIDO
Ver “Cristo”.
UNIDADE
Todos os membros da Igreja receberam dos apóstolos a mesma vida cristã, que devem aceitar pela fé (1Cor 1,10-16; Rm 10,14-17; 1Ts 1,8; Cl 2,6s; Gl 1,6-9). Fé-Batismo-Espírito são os três laços que unem os cristãos (Rm 10,9-11; Gl 2,16-20; Ef 3,17; 4,1-6). Cristo, Cabeça da Igreja e centro de unidade do universo (Cl 1,18-20; 2,9s; Ef 1,9.22; Jo 17,21-26). Serviço pastoral, fonte de unidade na Igreja (Mt 16,18s; 12,25; 18,15-18; Lc 22,32). Paulo prega o mistério de Cristo que realiza a unidade entre judeus e gentios (Ef 1,22; 2,13-18; 1Cor 12,13; Cl 3,10s). Alegorias paulinas que exprimem a unidade da Igreja (1Cor 3,6-16; Rm 11,17-29; 2Cor 11,2-6; Ef 4,2-6). Unidade na variedade dos carismas (1Cor 12–14; Ef 4,1-16; Fl 2,1-5). Ver “Eucaristia, sacramento da unidade”.
UNIVERSALISMO
No AT aparecem certos impulsos universalistas (Gn 22,18; Is 2,2-4; Mq 4,1-3). Anuncia-se até a conversão dos pagãos (Is 66,18-24; Zc 2,15; Ml 1,11). Recordam-se personagens que não pertencem ao povo bíblico (Gn 14,18; Js 2,1; Rt 4,10). Mas predomina a tendência ao fechamento, para não se contaminar (Dt 7,1-8; Ex 19,5). Segundo os Evangelhos, Cristo nega-se a fazer apostolado entre os pagãos (Mt 10,5; 15,24; Mc 7,27). Acolhe, contudo, alguns estrangeiros (Mt 8,5-10; 15,28). Ante a recusa dos judeus, anuncia a passagem aos gentios (Mt 21,43; Lc 13,28). Após a ressurreição aparece a missão universalista (Mt 28,19; Mc 16,15; At 1,8). A redação dos Evangelhos deixa transparecer a preocupação por afirmar o universalismo; magos (Mt 2,1-12), centurião romano (Mc 15,39), Simeão (Lc 2,29-32). O universalismo da Igreja foi uma dura conquista (At 8,5; 10,1–11,26; 15,1-33; Gl 2,1-14; 5,11; Ef 1,1s; Cl 1,15-29). O Apocalipse vê todas as raças na Jerusalém celeste (Ap 7,9; 21,24-26).
URIM E TUMIM
Ver Ex 28,30 e nota.
LETRA V
VAIDADE
Prevenir-se contra (Sl 119,37; Ecl 1,2; 2,1.11.15; Is 5,21; 1Pd 3,3-5). Exemplos (2Sm 24,9-15; Is 39,1-6; Mt 23,4-7; At 12,21-23). Vaidade feminina (2Rs 9,30; Is 3,16-24; Jr 4,30; 1Tm 2,9; 1Pd 3,3-5).
VERBO
Ver “Cristo”, “Palavra”.
VERDADE
Para nós, ocidentais, a verdade é a conformidade entre o pensamento e a realidade. Na Bíblia a verdade corresponde a um desejo de conhecimento prático para a vida. Está relacionada com a Lei, a revelação e a palavra de Deus. Verdade identifica-se por isso com fidelidade. Verdadeiro é aquilo que tem firmeza, consistência e em que o homem pode confiar. Deus é verdadeiro porque é fiel à sua aliança e às suas promessas (Ex 34,6s; Dt 7,9; 2Sm 7,28s; Sl 31,6; 138,2). Sobre a palavra de Deus, que é a verdade, o homem pode basear sua vida (Sl 26,3; Mt 7,24-27). A Lei é verdadeira porque constitui um apoio firme que dá proteção ao homem (Ne 9,13; Sl 93,5; 119,86). Na literatura sapiencial, verdade é igual a sabedoria (Pr 23,23; Ecl 12,10; Eclo 4,28). No sentido moral, verdade equivale a sinceridade de coração (2Rs 20,3), justiça e honestidade (Is 59,14). No NT a verdade adquire um cunho cristão, equivalendo a
“evangelho”(Gl 2,5.14; Cl 1,5; 2Tm 2,15). Para João, a verdade é o próprio Cristo (Jo 1,1; 8,40; 14,6; 17,17; 18,37), a palavra do Pai que Cristo veio anunciar neste mundo (Jo 1,17; 8,40-46).
A verdade de Deus manifesta-se em Cristo (2Cor 1,20; Ef 4,20); por isso, o Apocalipse chama-o “Fiel”e “Verdadeiro”(Ap 19,11). O testemunho de Cristo é completado pela ação do Espírito (Jo 14,26; 16,13).
O conhecimento da verdade exige disposições prévias (2Tm 2,10-12; 3,7; Ef 4,15; 6,14). O cristão é aquele que anda na verdade de Cristo (2Jo 4; 3Jo 3s).
VIDA
O Deus de Israel é um Deus vivo (Js 3,10-13; Dt 5,22-27; Sl 36,6-10; 84,1-3; Jr 2,13). A vida é um dom precioso (Ecl 9,4; Jó 2,4). Mas a vida é instável e breve (Gn 45,26s; Nm 21,8s; Jz 15,19; 2Rs 1,2; 8,9; Jó 20,8; 33,22; Sl 18,5s; 22,16; 31,11; 88,4.7; 116,8; Ecl 5,12; 8,13; Eclo 18,10; 40,1-4; 51,10; Sb 2,5; Mt 6,25).A verdadeira vida se manifesta em Cristo (Jo 5,26; 1Jo 1,1s; 5,9-13.20s), o Autor da Vida (At 3,15). Pelo Batismo ele comunica a vida aos que crêem (Rm 6,3-11; Cl 2,11-13; Gl 2,19s; Ef 2,5-10; 1Cor 15,21s). Por isso a vida do cristão é uma vida em Cristo: é preciso viver nele (Cl 2,6-8; Fl 2,5): falar e
agir nele (2Cor 2,12; 13,3); sofrer com ele (Rm 16,12; 1Cor 15,18; Fl 4,1; 1Ts 3,8); alegrarse nele (Fl 3,1; 4,4-10); ser glorificado nele (Rm 15,17; 1Cor 1,30s; 15,31; 2Cor 10,17; Fl 3,3); amar nele (Rm 16,8; 1Cor 4,17; Gl 3,27s; Cl 3,11). Ver ,“Retribuição”.
VIGILÂNCIA
No contexto da Parusia é um dos pilares da moral cristã(Mc 13,33-37; Mt 24,42-44; 25,13; Lc 12,36-40; 1Ts 5,1-7; 2Tm 4,5-7; 2Pd 3,10). É preciso vigiar nas tentações (Mt 26,37-46; 1Cor 16,13; Cl 4,2; Ef 6,1-20; 1Pd 5,8). Os anciãos de Éfeso devem vigiar nos combates pela fé (At 20,29-31; 1Cor 16,13). A vigilância tende a manifestar-se nas vigílias litúrgicas e na oração (Ef 6,18; Cl 4,2; Lc 6,12; 21,36; Mc 14,38).
VINDA DE CRISTO
Ver “Parusia”.
VINGANÇA DE SANGUE
Na concepção bíblica, o sangue derramado de uma pessoa clama ao céu por vingança (Gn 4,10; 2Mc 8,3; Ez 24,6-8). O vingador do sangue, um parente da vítima, age em nome de Deus para punir o crime (Gn 4,11; 2Sm 4,11; Dt 24,16), aplicando a lei do talião (Ex 21,12-23). Para impedir que o homicida involuntário fosse morto injustamente, a Lei previa cidades de refúgio (Js 20,1-9). Jesus, em vez da vingança, manda suportar as injustiças e amar os inimigos (Mt 5,38-42). O cristão deve vingar o mal com o bem (Rm 12,19-21). A vingança pertence a Deus (Dt 32,35.41; Jr 51,36) e não ao homem (Lv 19,18; Pr 20,22; Eclo 28,1-6; Mt 6,14; Lc 11,4; 1Cor 6,7; Ef 4,26; 1Ts 5,15). Ver “Redenção”.
VINHA
A Terra Prometida era uma vinha (Nm 13,20-26; Is 27,2-5). O povo de Israel é uma videiratransplantada do Egito (Sl 80,9-19). A restauração de Israel é uma nova plantação da vinha (Am 9,13-15; Os 14,5-10).
A festa dos Tabernáculos é a festa da colheita da uva (Lv 23,40; 2Mc 10,7); mas esta acabará, porque a vinha não dará mais fruto (Is 5,1-30; Jr 8,13-17). Israel é uma vinha estéril (Is 5,1-7); por isso, Deus escolherá uma nova vinha (Mt 20,1-16; 21,28-46) que é Cristo (Jo 15,1-12). Cristo, nova Videira, dá o vinho novo da sabedoria (Pr 9,1-5; Is 55,1s; Jo 2,1-11; Mc 2,22; MT 26,29).
VIRGEM MARIA
Ver “Maria”.
VIRGINDADE
No AT, a esterilidade era uma vergonha, mas a estéril pode ter uma fecundidade espiritual (Sb 3,13s; 4,1). Certos atos sagrados exigiam abstinência conjugal (1Sm 21,5-7; Ex 19,15). Cristo faz um convite à castidade perpétua (Mt 19,12.21; 1Cor 7,1.7s; 1Ts 4,1-7). O termo “virgindade”tem um sentido metafórico: não cair na idolatria (Ap 14,4; 21,2; 2Cor 11,2). A castidade é uma virtude matrimonial (Rm 13,13; 1Cor 6,15; Gl 5,23-25). A castidade é recomendada particularmente aos mensageiros do Evangelho (2Cor 6,6; 1Tm 4,12; 5,2.22).
VIRTUDE
Natureza (Mt 7,13.18s; Mc 12,28-34; Gl 5,6; 6,2; Cl 3,2.14; 2Pd 1,10). Progresso na virtude (Pr 4,18; Rm 12,9-17; Fl 3,12s; 1Ts 4,1; 5,22; 1Tm 4,7; 2Pd 1,5-8; 3,18; Ap 22,11.
VIÚVAS
A lei do levirato e as leis sociais insistem na proteção às viúvas (Ex 22,21-23; Dt 10,18; 24,17-21; 26,12s; Is 1,17-23; Jó 29,13). Situação miserável das viúvas. Alguns milagres anunciam a sua felicidade messiânica (1Rs 17,8-15; 2Rs 4,1-7; Sl 146,9). Por isso, Jerusalém, esposa infiel, quando abandonada de Deus, é chamada viúva (Is 54,4-8; Lm 1,1; Br 4,12; Ap 18,7). As viúvas na Igreja apostólica constituíam uma espécie de ordem religiosa (1Cor 7,8.39s;1Tm 5,3-16; At 6,1-6; Tg 1,27; Lc 21,1-4)
VOCAÇÃO
Cristo é o grande “chamado”. Nele todas as coisas foram chamadas à existência (Ef 1,4-6.11-14; Rm 8,29; 1Pd 1,20s; Cl 1,15-23; Jo 1,1-3; Gn 1,1–2,4).Esta vocação em Cristo pode ser individual e comunitária. Deus chama grandes homens para formar comunidades: Abraão (Gn 12); Moisés (Ex 3,6); Samuel (1Sm 3); Isaías (Is 6); Cristo (Hb 10,2-5; Mt 26,28; At 20,28; 1Pd 2,9s) que fundou a comunidade apostólica. Chama também comunidades ou povos através desses homens escolhidos; assim chamou
Israel e a Igreja. Esquema bíblico-literário da vocação:
- Procede da liberdade soberana de Deus (Jr 1,4s; Rm 8,30; 1Cor 1,9s; Gl 1,15).
- Exige o despojamento, na fé, pela obediência (Gn 12; Mt 4,18-22; 16,24-26; 8,18-22).
- Suscita quase sempre o temor no coração dos chamados (Ex 3,6; Jz 6,22; Is 6,5; Jr 1,6).
- Investe o “chamado”de uma missão, que a Bíblia costuma assinalar com a mudança do
nome (Gn 17,4-8.19; Lc 1,13.31s.59-63; Jo 1,42). Esta investidura corresponde, geralmente, a uma comunicação do Espírito: Profetas (1Sm 10,6; 16,13; Is 11,2; 42,1); apóstolos (Jo 20,22; 15,26; 16,7; At 2,1s). Na Igreja todos somos iguais por razão da vocação em Cristo (Ef 1,22s; 4,11-16; 5,23; Cl 1,18; 2,19; 1Cor 12,13; 10,17; Gl 3,28s; Mt 23,8-12). Contudo, temos funções diferentes, que supõem uma vocação na e para a comunidade. Ver “Carisma”, Igreja”, “ Ministérios”, Sacerdócio”, “Profeta”.
VONTADE DE DEUS
Ver “Mistério”, “Salvação”, “Obediência”.
VULGATA
Tradução da Bíblia feita por S. Jerônimo entre 385 e 405 dC, em parte dos originais gregos, hebraicos e aramaicos, em parte aproveitando traduções latinas anteriores. Chama-se “Vulgata”por ter sido traduzida para a linguagem então falada pelo povo no Império Romano. Esta tradução tornou-se o texto que a Igreja Católica usa ainda hoje em seus documentos oficiais. Mas as traduções da Bíblia em línguas modernas são, hoje em dia, feitas diretamente dos originais.
LETRA X
XEOL
É o nome hebraico dado no AT para os “infernos”, “abismo”ou “morada dos mortos”(Gn 37,35; Is 38,18 e nota). Julgava-se que o Xeol ficava debaixo da terra. Jesus, ao morrer, desceu ao Xeol (At 2,24-31; Rm 10,7; Ef 4,8-10) para anunciar aos mortos a sua vitória sobre a morte pela ressurreição (Ap 1,18; Mt 27,51-53; 1Pd 3,19s e nota). Ver “Hades”, “Abismo”.
LETRAS Z
ZACARIAS
Há três personagens com este nome, que significa “o Senhor se recorda”:
1. Um profeta assassinado no templo (2Cr 24,20-22; Mt 23,35);
2. Um profeta que exortou os judeus a reconstruir o templo (Esd 5,1);
3. Um sacerdote da classe de Abias, esposo de Isabel e pai de João Batista (Lc 1,5-67; 3,2).
ZELO
O Deus de Israel é um Deus único e ciumento (Ex 3,14; 20,3-6; 34,14; Dt 32,16s; Js 24,19-24). É um fogo devorador (Dt 4,24; Is 33,14; Sf 1,18). Os profetas são homens devorados pelo zelo de Deus (Nm 25,11; 1Rs 19,14; Eclo 48,2; Sl 69,10). O mesmo zelo ardia no coração de Cristo (Mt 21, 12s).
O reino de Deus não suporta a tibieza (Ap 3,19; Mt 11,12; Tt 2,14). Este zelo exprime-se na oração e no culto (Nm 14,13-19; Ez 20,9-14; 36,21-23; Jo 14,21; Mt 6,9-13; Lc 11,2-4). Paulo estava cheio de zelo pela conversão dos hebreus e dos pagãos (Rm 9,3; 10,19; 11,11-14). Existe um falso zelo: o daqueles que querem sobrepor a justiça da Lei à liberdade cristã (MT 23,15; At 21,20; Rm 10,2; At 5,17; 13,45; 17,5): o de Paulo antes da conversão (At 22,3; Fl 3,6; Gl 1,13); o dos zelotes (At 5,35-39; 23,12-15). O zelo cristão não é áspero, é animado pela caridade e paciência (Tg 3,14-18; Lc 9,51-56; Mt 13,24-30.36-43).
ZELOTES
É o sobrenome do apóstolo Simão (Lc 6,15). Era também o nome de um partido revolucionário e nacionalista, muito ativo entre o ano 6 e 70 dC. Seus membros eram fanáticos opositores da dominação romana. Seu ideal era estabelecer uma teocracia, expulsando pela força os dominadores estrangeiros (At 5,37).
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