O que torna incomum a decisão de celebrar a Reforma é o fato de que o Chile é o único país da América Latina que ainda possui um Partido Democrático Cristão (católico). Apesar disso, o novo feriado foi aprovado com votação unânime no Congresso. Os políticos parecem reconhecer uma oportunidade. No último censo, em 2002, em um país que era reconhecidamente católico, 15% da população disseram que eram “evangélicos” (na América Latina, o termo é um sinônimo para protestantes). As escolas estatais oferecem agora a escolha entre um ensino religioso católico ou evangélico, e o exército tem uma capelania de ambas as igrejas.
Marco histórico
O Chile não está sozinho nas mudanças. Mais de 15% dos brasileiros e cerca de 20% dos guatemaltecos são agora evangélicos. A maior parte dos protestantes latino-americanos é pentecostal e enfatiza a experiência direta com Deus. Em regiões pobres, como Santiago, as igrejas pentecostais continuam a se multiplicar. E apesar de um bispo católico da linha da teologia da libertação ter sido nomeado presidente do Paraguai este ano, a tendência é que os latino-americanos socialmente desfavorecidos e pobres adotem cada vez mais o protestantismo. Cinco séculos após a região ter sido forçada a se converter ao catolicismo, o novo feriado nacional do Chile é um marco histórico.
Mas tudo tem um preço. O Chile pode até ter uma reputação ruim de exigir um trabalho diligente, mas agora o país tem 16 feriados nacionais por ano (sem contar as “pontes” em que os chilenos aproveitam para emendar os dias quando o feriado cai perto do fim de semana). Um dia de trabalho perdido vale cerca de 735 milhões em prejuízo na produtividade. Então, o governo quer aos poucos retirar dois ou três feriados dedicados à Virgem Maria.
Tradução: Homero S. Chagas
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